FIEC, por meio do SENAI Ceará, se junta a GIZ, Aeris e Casa dos Ventos para debater oportunidades de trabalho no setor de energias renováveis
Na manhã desta terça-feira, 10, segundo dia da Feira da Indústria, os visitantes puderam acompanhar o Painel “Desafios e Oportunidades para Transição Energética no Ceará”, apresentado pela Assessora para Transição Energética do SENAI Ceará, Isabela Maciel.
Participaram do painel: o Coordenador de Empregabilidade da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Marcelo Ramos; a Consultora em Recrutamento, Seleção, Treinamento e Desenvolvimento da Aeris Energy, Juliane Melo; e a Analista de Carbono da Casa dos Ventos, Lígia Braggion.
“Trouxemos a visão de diferentes parceiros e responsáveis da transição energética, como a GIZ, que impulsiona muito a empregabilidade nas indústrias; a Aeris, na pauta da empregabilidade do setor eólico, com quais as competências necessárias; por fim, a Casa dos Ventos, apresentando a estratégia de sustentabilidade do evento, que é um grande impulsionador da descarbonização de diversas indústrias, com essa estratégia de certificação da origem de energia renovável e também da compensação da emissão de carbono”, explica Isabela.
Com isso, segundo ela, o painel contemplou todas as vertentes do ESG (Ambiental, Social e Governança). “O ‘E’, do meio ambiente, por tratarmos de transição energética por meio das energias renováveis; o ‘S’, do social, por meio da empregabilidade; e o ‘G’, da governança, com a GIZ representando o setor público”, completa.
Marcelo Ramos apresentou projetos que a GIZ tem no Brasil, como o “Profissionais do Futuro II”, que objetiva melhorar as perspectivas de emprego de pessoas formadas em cursos da Educação Profissional e Tecnológica nos setores de sustentabilidade da economia brasileira, especialmente mulheres e pertencentes a grupos vulneráveis.
No Brasil, esse projeto tem como parceiro o SENAI, além de órgãos como Ministério da Educação, Ministério do Trabalho e Emprego, CONIF e redes federal, estaduais universidades, associações empresariais e empresas, entre outros.
“Quando a gente fala da transição energética, pensamos inicialmente nas energias renováveis, que realmente é um grande vetor para isso. É um setor em franco crescimento. Aqui no Ceará, ele é muito importante, então vale muito a pena como uma oportunidade para desenvolvimento da carreira, principalmente para as pessoas, no mercado de trabalho. Mas podemos, também, pensar em uma série de outras oportunidades na descarbonização, no armazenamento de energia, nos data centers, na produção de hidrogênio verde. Mas, acima de tudo, na integração de diversas áreas para que seja possível trabalhar de forma mais completa nesse setor”, disse.
A representante da Aeris Energy, Juliane Melo, comentou sobre como o setor de energias é plural e transversal:
“Quando a gente fala de produção, estamos falando de uma grande pluralidade industrial: mecânica, preparo de tecidos de fibra de vidro, automação e química. Ou seja, são muitas áreas que se conectam dentro desse setor. Hoje, temos programas de aprendizagem e estágio, como o Geração Aeris, que funciona como porta de entrada para quem quer iniciar a carreira. E temos vagas destinadas e estamos construindo modelos de formação junto com o SENAI, para preparar esses profissionais desde a base”, explicou. “Esses empregos do futuro acabam englobando muitas competências e vocações diferentes, todas conectadas pelo propósito da sustentabilidade”.
A Aeris é uma grande parceira do SENAI Ceará, desde a criação do Centro de Excelência para Transição Energética, na unidade da Barra do Ceará, com um laboratório dedicado de reparo de pá eólica
Completando o painel, Lígia Braggion explicou que a Casa dos Ventos trabalha junto a empresas interessadas em descarbonização e compensação. “A Casa dos Ventos pode ajudar as empresas a reduzir suas emissões de gás carbônico, por meio de atributos ambientais. Elas podem nos procurar para avaliar tanto a descarbonização como a compensação. O mercado regulado de Carbono está sendo implementado no Brasil agora e o que estava sendo feito voluntariamente pelas empresas vai se tornar obrigatório nos próximos anos”, explicou.
Atuação das mulheres no setor de energias
Isabela Maciel é um exemplo inspirador para outras mulheres. Com carreira sólida na área das energias, a engenheira eletricista tem formação na Alemanha e é responsável por assessorar o SENAI Ceará em grandes iniciativas e parcerias do setor. O debate sobre a participação feminina no setor de energias fez parte do painel.
“Temos diversos projetos no SENAI para estimular a participação feminina. Com a GIZ, amanhã, após a feira, vamos fazer uma ação para levar alunos e alunas para um parque eólico e, no dia seguinte, fazer um momento para conversar com as meninas, para elas verem que, sim, tem mulheres no mercado de trabalho, que a gente está falando de equidade de gênero e não igualdade. É possível elas estarem em cargos gerenciais, também nos cargos técnicos”, explica Isabela Maciel.
“Além disso, a gente tem diversas turmas como o um projeto de Eletricistas da Enel, onde formamos eletricistas mulheres para fazer a manutenção da rede elétrica de distribuição do Estado do Ceará, garantindo a empregabilidade. São ações como essas que mostram como o SENAI está comprometido em ter cada vez mais mulheres na área técnica da energia”, completou.
Oportunidades no Sistema FIEC
Isabela ressaltou, ainda, algumas das possibilidades de inserção no mercado de trabalho, tendo como ponto de partida as formações oferecidas pelo Sistema FIEC, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o SENAI Ceará, e o Instituto Euvaldo Lodi, o IEL Ceará.
“O SENAI oferece cursos técnicos na área de energias renováveis, eletrotécnica, além de cursos de aperfeiçoamento, mais curtos, como o de reparo de pás eólicas, montador de sistemas fotovoltaicos e muitos outros. E o IEL, que é o nosso grande parceiro, tem um MBA de energias renováveis”, elenca.
Feira da Indústria FIEC: evento limpo e sustentável
Falando em energias, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e a Casa dos Ventos firmaram compromisso para neutralizar o impacto energético da Feira da Indústria, utilizando I-RECs para certificar que todo o consumo seja proveniente de fontes renováveis, além da compensação de emissões de carbono do evento. A Feira será realizada nos dias 9 e 10 de março, no Centro de Eventos do Ceará, com foco na promoção de negócios, inovação e desenvolvimento sustentável.
A iniciativa prevê a certificação da energia utilizada por meio do I-REC (International Renewable Energy Certificate), sistema internacional que comprova a origem renovável da energia elétrica consumida. O mecanismo assegura que, para cada volume de energia utilizado durante o evento, quantidade equivalente seja gerada a partir de fontes renováveis, como eólica ou solar.
Além da certificação, as emissões de carbono associadas à realização da Feira serão compensadas por meio da aquisição de créditos de carbono. O processo inclui o levantamento das emissões geradas a partir do deslocamento do público ao local. A partir deste cálculo, será definida a quantidade de créditos necessária para neutralizar o impacto ambiental.
Cada crédito de carbono corresponde à redução ou remoção de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) da atmosfera. Os créditos utilizados na compensação serão provenientes do parque eólico Rio do Vento, empreendimento da Casa dos Ventos, certificado para geração de energia renovável.
A medida integra a estratégia da FIEC de estimular práticas sustentáveis e fortalecer a indústria verde no Ceará. A Feira da Indústria reunirá empresas, instituições e especialistas em uma programação que inclui palestras, desfiles, estandes multissetoriais e apresentação de soluções tecnológicas voltadas ao desenvolvimento econômico, social e ambiental.





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