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Artigo: Sobre as Narrativas de Sustentabilidade

02/06/2021 - 11h06

Há alguns dias me deparo com as repercussões do relatório produzido pela Fundação Minderoo, intitulado Plastic Waste Makers Index, que mapeou os produtores de resinas plásticas e concluiu que vinte empresas são responsáveis pela produção mundial de mais de cinquenta por cento do plástico descartável.

Outra notícia muito recente foi que a empresa Tesla Motors, fabricante dos mais famosos carros elétricos do mundo, sinônimo de Inovação e Sustentabilidade, deixou de receber o Bitcoin na venda de seus produtos. A explicação oficial foi que a operação dessa criptomoeda gera grande quantidade de emissões de carbono, e por isso não seria sustentável.

Nesse ponto, gostaria de apresentar dois termos. O primeiro é Sofisma, que segundo o dicionário online Michaellis, trata-se de um argumento ou raciocínio deliberadamente enganoso, com aparência de verdadeiro, com o objetivo de enganar alguém; evasiva, falácia, torcedura. O segundo é Dicotomia, que segundo o dicionário Priberam, trata-se da divisão de um conceito em dois outros que abrangem toda a sua extensão; conceitos esses normalmente antagônicos, a exemplo: claro e escuro, bom e mal, etc.

Dito isso, posso afirmar que estamos diante de dois Sofismas. No tocante ao Relatório produzido pela Minderoo, sua investigação foi precisa em apontar as fontes da matéria prima. A racionalização dos dados obtidos, no entanto, foi enganosa e perigosa, na medida em que responsabilizou apenas às petrolíferas na questão dos plásticos descartados de forma incorreta, e excluiu toda a responsabilidade do Indivíduo. Não é meu objetivo enumerar as vantagens e serventias dos Plásticos, mas sua utilização e descarte é uma ação humana, e tem que ser percebida como tal.

No caso da Tesla, o discurso de Sustentabilidade é facilmente desmontado quando observamos, por exemplo, que uma das suas autointituladas Megafabrica fica na China que, por sua vez, tem como base de sua matriz energética o carvão mineral. Ora, quanto de emissão de carbono é necessária para produção de cada veículo que não causa emissão? É sustentável a produção usando carvão, mas não é a utilização uma moeda digital como forma de pagamento?

Numa visão apenas focada no descarte dos materiais, sejam eles descartáveis ou não, a solução necessariamente terá que passar pela Reciclagem, que deverá ser uma das principais práticas adotadas numa Economia Circular eficiente. O plástico é uma matéria prima que, como qualquer outra, tem um uso eficiente e comprovado; mas, não podemos nos ater apenas ao Uso, o que está provocando enormes danos ambientais – não só com o plástico, mas com todos os resíduos e rejeitos, de todos o materiais – é falta de uma cadeia de Pós Uso.

Sei que não é fácil, nem conveniente, mas temos que abandonar a falsa narrativa dicotômica entre o Sustentável e o Poluente, e aprender de uma vez por todas que  apenas através da Educação Ambiental do indivíduo e da adoção de Macropolíticas governamentais que poderemos enfrentar essa crise sanitária em que vivemos, de forma a não apenas evitar, mas também mitigar seus efeitos ao meio ambiente.

Bruno Bertrand, Diretor Técnico do Sindiverde.

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