Com investimento de R$ 27 milhões da FIEC, IEES e Ceará Tech Park vão integrar ciência, tecnologia e indústria em ecossistema na Base Aérea de Fortaleza
Um território capaz de conectar formação de engenheiros, pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias, testes, validação de soluções e mercado começa a ganhar forma na Base Aérea de Fortaleza. Durante o Workshop ITA + FIEC, realizado quarta-feira (4/11), foram apresentados novos detalhes do Instituto SENAI de Energias e Engenharia de Sistemas (IEES) e do Ceará Tech Park, estruturas que funcionarão de forma articulada com o Campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará e com os demais atores que já integram o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do estado.
A proposta não é concentrar conhecimento ou competências em um único ambiente, mas ampliar as conexões entre as diferentes pontas desse ecossistema. Universidades, institutos públicos e privados de pesquisa, empresas, startups, governos, instituições de fomento e demais organizações poderão se conectar às estruturas do ITA, do IEES e do Ceará Tech Park, somando competências para o desenvolvimento de projetos e soluções. A ideia é que o território funcione como um espaço de integração e articulação, fortalecendo capacidades que já existem no Ceará e criando novas possibilidades de cooperação.
Nesse desenho, as três estruturas assumem funções complementares dentro de uma rede mais ampla: o ITA Fortaleza contribui com formação e produção de conhecimento; o IEES atuará na engenharia aplicada, prototipagem, ensaios e validação tecnológica; e o Ceará Tech Park criará um ambiente para conexão entre empresas, startups, pesquisadores, instituições e mercado. O modelo apresentado durante o Workshop parte justamente da ideia de fazer o conhecimento circular entre diferentes atores e chegar mais rapidamente a aplicações concretas para a indústria.
Durante o encontro, o Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, anunciou que a FIEC investirá R$ 27 milhões no IEES e no Ceará Tech Park e informou que a ordem de serviço do projeto deverá ser assinada ainda em novembro.
“Essa é uma iniciativa estratégica, construída em parceria com o ITA, a Força Aérea Brasileira e outras instituições comprometidas com o desenvolvimento do nosso estado. O Sistema FIEC investirá R$ 27 milhões nesse projeto, cuja ordem de serviço será assinada ainda este mês. Precisamos de uma indústria que não apenas acompanhe os avanços tecnológicos, mas que também tenha capacidade de desenvolver suas próprias soluções, gerar conhecimento e conquistar novos mercados. É exatamente essa visão que orienta o encontro de hoje. Queremos aproximar os estudantes e professores do ITA dos desafios reais do setor produtivo. Queremos que as empresas tragam seus problemas, suas necessidades e suas oportunidades para serem trabalhados em conjunto com a academia”, destacou Ricardo Cavalcante.
Os projetos do IEES e do Ceará Tech Park foram detalhados durante a programação pelo Diretor do Instituto SENAI de Energias e Engenharia de Sistemas, Carlos Mesquita, e pelo Diretor do Ceará Tech Park, Rodrigo Pastl.
Seis laboratórios voltados aos desafios da indústria
Com 4.339 m² de área construída, o IEES contará com seis grandes laboratórios, direcionados a áreas estratégicas para a transformação da indústria: energias renováveis em sistemas híbridos, hidrogênio verde, materiais e compósitos, armazenamento de energia e BESS, combustíveis renováveis e data center e inteligência artificial.
A estrutura será instalada em um hangar localizado na Base Aérea de Fortaleza e deverá atuar de forma conectada não apenas ao ITA e ao Ceará Tech Park, mas também às competências científicas e tecnológicas existentes em universidades, centros de pesquisa, empresas e outras instituições cearenses.
“O IEES está sendo estruturado para ser um ponto de conexão entre os desafios da indústria e as competências disponíveis no nosso ecossistema de inovação. Não se trata de fazer tudo dentro de uma única instituição, mas de reunir parceiros e conhecimentos diferentes de acordo com cada desafio. Queremos trabalhar junto a universidades, institutos de pesquisa, empresas, startups e poder público, somando capacidades em pesquisa, prototipagem, testes e validação para desenvolver soluções que possam chegar à indústria e ao mercado. Os seis laboratórios ampliarão essa capacidade em áreas estratégicas para as transformações que já estão acontecendo no setor produtivo”, afirmou Carlos Mesquita, Diretor do Instituto SENAI de Energias e Engenharia de Sistemas.
O modelo de atuação apresentado parte de uma demanda concreta do setor produtivo e avança por etapas de pesquisa, prototipagem, testes de desempenho, segurança e eficiência até chegar a uma solução com possibilidade de aplicação no mercado. O IEES atuará em quatro frentes principais: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I); consultorias tecnológicas; serviços laboratoriais; e startups e novos negócios.
Essas frentes poderão ser desenvolvidas em cooperação com diferentes instituições, permitindo que cada projeto reúna as competências necessárias dentro e fora do território da Base Aérea. A perspectiva é que o IEES também ajude a aproximar demandas industriais de pesquisadores, especialistas e estruturas tecnológicas já existentes no estado.
A previsão é que o Instituto esteja em operação em outubro de 2027, quando deverá estar pronto para receber os primeiros projetos da indústria. O cronograma contempla mobilização e início das intervenções ainda em 2026, seguida pelas etapas de estrutura, fechamentos, instalações prediais, acabamentos e implantação dos equipamentos ao longo de 2027.
Complementando o ecossistema, o Ceará Tech Park terá 127 mil m² de área total ao lado do ITA e do IEES. O parque foi concebido para funcionar como um ambiente de conexão entre diferentes redes de inovação, aproximando instituições de ensino e pesquisa, empresas, startups, governos, investidores e organizações de apoio ao desenvolvimento tecnológico.
Apresentado como um “Hub dos Hubs”, o Ceará Tech Park pretende articular atores e oportunidades, e não substituir estruturas que já atuam no Ceará. Entre os serviços previstos estão lotes e espaços corporativos, soft landing para empresas, incubação e aceleração, apoio a projetos de alta complexidade, áreas para testes de novas tecnologias e sandboxes regulatórios. A própria concepção do parque estabelece como objetivo conectar atores e articular oportunidades de desenvolvimento social e tecnológico.
“O Ceará Tech Park nasce para ser um espaço de integração. Queremos conectar o que o Ceará já tem de muito forte em universidades, institutos de pesquisa, empresas, startups, governos e instituições de inovação com as novas possibilidades abertas pela chegada do ITA e pela implantação do IEES. O parque não será uma bolha. A proposta é justamente criar pontes, aproximar competências e permitir que diferentes atores construam projetos em conjunto. Além da tecnologia e dos negócios, queremos um espaço vivo, aberto à sociedade, com áreas de convivência, cultura e integração, para que esse território também faça parte da vida da cidade”, afirmou Rodrigo Pastl, Diretor do Ceará Tech Park.
Essa relação com a sociedade também aparece no masterplan. Além das áreas destinadas à inovação e às empresas, o projeto prevê espaços públicos sustentáveis, pavilhões polivalentes, áreas comerciais e de serviços e ambientes de convivência. Entre as possibilidades em estudo está ainda a incorporação de equipamentos e iniciativas de caráter cultural, inclusive a possibilidade de um museu, ampliando a relação do parque com a população.
O projeto também incorpora princípios de sustentabilidade, com conceitos como captação e reúso de água, telhados verdes, energia solar, jardins filtrantes, preservação de mata nativa, mobilidade ativa, eletromobilidade e micromobilidade. As diretrizes apresentadas fazem parte das premissas iniciais do masterplan e ainda estão em desenvolvimento.
O projeto já começa a mobilizar empresas e instituições. Atualmente, 89 organizações integram o pipeline do Ceará Tech Park. Desse total, 33 já assinaram cartas de interesse, 18 estão em análise e outras 38 encontram-se em discussão.
A proposta é permitir que organizações se conectem ao ecossistema ainda durante sua implantação. Entre os caminhos apresentados estão o desenvolvimento de projetos âncora de PD&I junto aos laboratórios do IEES, a instalação de empresas no Ceará Tech Park e a participação de instituições na governança e em mecanismos de fomento à inovação.
Mais do que reunir ITA Fortaleza, IEES e Ceará Tech Park em um mesmo território, o projeto busca criar um ponto de conexão entre diferentes capacidades já existentes no Ceará e novas estruturas que estão sendo implantadas. Universidades, centros e institutos de pesquisa, empresas, startups, governos e demais organizações poderão participar desse ambiente de acordo com suas competências e com as demandas de cada projeto.
A expectativa é reduzir a distância entre um desafio apresentado pelo setor produtivo e as pessoas e instituições capazes de contribuir para solucioná-lo. A partir dessa articulação, pesquisa, engenharia aplicada, prototipagem, ensaios, validação, formação de pessoas, empreendedorismo e mercado poderão se conectar em diferentes arranjos, fortalecendo um ecossistema aberto à colaboração e voltado à geração de tecnologia, negócios e oportunidades para o Ceará.
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