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FIEC recebe encontro sobre incentivos fiscais e financiamento para inovação na indústria

04/11/2026 - 15h11

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) recebeu, nesta quarta-feira (04/11), o Encontro N-NIB Ceará, que reuniu empresários, gestores e representantes de instituições para apresentar oportunidades de incentivos fiscais, financiamento e parcerias voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação industrial. O evento ocorreu no Auditório José Flávio, na Casa da Indústria, em Fortaleza.

A programação abordou instrumentos de apoio à inovação, como a Lei do Bem, que oferece incentivos fiscais a empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento, e as linhas de financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Também foram apresentadas possibilidades de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O encontro teve como objetivo aproximar empresas, instituições de ensino e pesquisa e órgãos governamentais, ampliando o conhecimento sobre os mecanismos disponíveis para transformar desafios do setor produtivo em projetos de inovação e ganhos de competitividade. A iniciativa foi promovida em parceria pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), FIEC, Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) e Instituto Federal do Ceará (IFCE), entre outras instituições.

Na abertura, o Presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, destacou a importância de ampliar o acesso das empresas aos incentivos da Lei do Bem e fortalecer a aproximação entre o setor produtivo e as instituições que atuam na área de inovação. Segundo ele, muitas indústrias cearenses têm potencial para desenvolver projetos, mas ainda enfrentam dificuldades para acessar esses mecanismos. “Precisamos discutir como tornar mais simples e eficiente o acesso das empresas aos incentivos da Lei do Bem. Boa parte desses recursos está direcionada às indústrias enquadradas no regime de lucro real, o que restringe o alcance do benefício. Temos muitas empresas no Ceará que poderiam desenvolver projetos de inovação, mas encontram dificuldades para acessar esses mecanismos. Também precisamos atualizar a legislação e aproximar governo, universidades e setor produtivo para construir soluções que permitam ampliar o uso desses recursos”.

Ricardo Cavalcante também ressaltou a contribuição do Observatório da Indústria Ceará na identificação de oportunidades e no apoio a empresas e pesquisadores. “O Observatório da Indústria Ceará pode contribuir para esse processo, reunindo informações estratégicas e facilitando a identificação de oportunidades para as empresas. Estamos desenvolvendo um trabalho de mapeamento do Ceará, com dados sobre empresas, infraestrutura, recursos hídricos, energia, estradas e mineração, que também poderão apoiar pesquisadores e empresários”, acrescentou.

Articulação para ampliar o acesso à inovação

A professora do IFCE e coordenadora do Núcleo da Nova Indústria Brasil (N-NIB) no Ceará, Rejane Sá, explicou que o encontro foi organizado para esclarecer dúvidas de empresários sobre financiamento, incentivos fiscais e participação em editais de fomento. Ela destacou que empresas de diferentes portes ainda precisam de orientação para acessar esses instrumentos. “O evento foi idealizado para reunir empresários, hubs de inovação e grandes agências de fomento, com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre as possibilidades de financiamento e incentivo à inovação. Muitas empresas, desde pequenas e microempresas até startups e indústrias de maior porte, ainda têm dúvidas sobre como acessar incentivos fiscais, o que é subvenção econômica e quais são os critérios para participar de determinados editais. A ideia é justamente orientar os empresários para que possam participar mais das ações de fomento”, explicou.

O diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene e coordenador do projeto Nordeste 4.0, José Farias, destacou que o encontro faz parte de uma estratégia para aproximar a política industrial da Nova Indústria Brasil (NIB) dos estados da região. Segundo ele, a iniciativa busca apoiar a transformação digital das empresas, especialmente das pequenas e médias indústrias. “O evento de hoje integra essa estratégia e tem como foco apresentar caminhos de financiamento e oportunidades para a transformação tecnológica das indústrias, especialmente das pequenas e médias empresas, que representam cerca de 90% do setor industrial do Nordeste. É uma iniciativa importante para consolidar as ações do núcleo e ampliar o acesso das empresas aos instrumentos necessários para investir em inovação e transformação digital”, afirmou.

O reitor do IFCE, Wally Menezes, ressaltou a importância de apresentar às empresas os mecanismos de incentivo e o ecossistema de inovação da FIEC. Para ele, a aproximação entre as instituições pode dar mais segurança aos empresários interessados em investir em pesquisa e desenvolvimento. “É importante incentivar as empresas a conhecerem a Lei do Bem e as garantias que podem utilizar em seus processos de produção, sem receio de que os investimentos realizados sejam posteriormente questionados. Outro ponto é apresentar o ecossistema de inovação da Federação das Indústrias, que é muito robusto e forte. Podemos, por exemplo, utilizar o Observatório da Indústria para ampliar a captação de recursos por meio da Lei do Bem, fortalecer o uso desse mecanismo e oferecer a segurança de que as empresas precisam para executar bem esses recursos”, destacou.

Para o diretor de Inovação da FIEC, Paulo Rabelo, o fortalecimento da inovação depende da atuação integrada das instituições de apoio ao setor produtivo. Ele observou que as demandas da rotina empresarial podem fazer com que os investimentos em inovação fiquem em segundo plano. “Quando falamos de inovação, precisamos pensar em ecossistema. A FIEC, sozinha, não consegue fazer tudo. O IFCE também não, assim como as demais instituições. Precisamos de um sistema integrado para que as iniciativas aconteçam”, pontuou.

Programação

A programação contou com dois painéis. Pela manhã, o debate abordou o tema “Incentivos fiscais para pesquisa, desenvolvimento e inovação: oportunidades e experiências da indústria”, com participação de André Luiz Araújo, assessor da Lei do Bem no IFCE; Paulo Rabelo, diretor de Inovação da FIEC; Felipe Souza, representante da M. Dias Branco; e Wally Menezes, reitor do IFCE. À tarde, o segundo painel discutiu “Instrumentos de financiamento e oportunidades de apoio à inovação para a indústria cearense”, com Rafaelly Fortunato, analista de Fomento da Finep na Região Nordeste, e José Farias, diretor de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene.

Também participaram do encontro André Montenegro, Vice-Presidente da FIEC; Isaac Matos Bley, Presidente do Sindialimentos; Carlos Oliveira Filho, Presidente do Sindpneus; e Daniel Gomes, Vice-Presidente do Sindconfecções.

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