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Encontro Nacional de Gestores do Procompi reúne representantes de 21 estados na Casa da Indústria

07/10/2026 - 15h10

Fortaleza recebe nesta quarta (7/10) e quinta-feira (8/10) o Encontro Nacional de Gestores do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com a parceria das federações estaduais da indústria. O evento é realizado na Casa da Indústria, sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), e reúne representantes de 21 estados para discutir resultados, experiências e os próximos caminhos do programa.

O presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, participou da abertura do evento e deu as boas-vindas aos participantes. Em sua fala, ele destacou a importância da integração entre as entidades do Sistema Indústria e o Sebrae para ampliar os resultados destinados às empresas. Segundo ele, a troca de experiências é essencial em um país de dimensões continentais e com realidades produtivas distintas. “Precisamos estar permanentemente dispostos não apenas a apresentar aquilo que estamos fazendo, mas também a aprender com o que os outros estão construindo”, afirmou.

Para o presidente da FIEC, a atuação das instituições precisa estar cada vez mais orientada às necessidades do empresário e à capacidade de transformar recursos e iniciativas em entregas concretas. Nesse sentido, defendeu a ampliação e o aperfeiçoamento do Procompi, diante do potencial do programa para impulsionar a competitividade e o crescimento dos pequenos negócios.

“Há alguns anos, uma pequena empresa cearense do setor de sorvetes ingressou no Procompi. A empresa cresceu, avançou e hoje é a maior do Nordeste e a quarta maior produtora de sorvetes do país. Esse é um exemplo muito claro da dimensão que um programa como esse pode alcançar. E essa empresa, que cresceu, agora também precisa apoiar seus fornecedores para que eles possam crescer junto com ela. Por isso, precisamos continuar discutindo o Procompi, compreendendo seus limites, mas também enxergando seu potencial. Talvez seja necessário repensar recursos, modelos e prioridades para que possamos fazer mais e, sobretudo, gerar mais resultados. Precisamos colocar nas nossas prateleiras aquilo que o mercado está procurando hoje. Precisamos criar soluções novas para problemas novos”, ponderou.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, ressaltou a trajetória construída pelo programa no Ceará, que já soma 41 projetos aprovados desde o início da iniciativa nos anos 2000, sendo 15 no último ciclo. “O Ceará sempre teve um papel central na execução de um conjunto amplo de projetos. É uma economia muito pujante, que tem trazido novidades para dentro dessa interação”, afirmou. Segundo ele, a realização do encontro no Estado, que já havia sediado uma edição em 2014, reflete essa participação estratégica e cria um ambiente propício para avaliar avanços e perspectivas.

“Estamos no fechamento de um ciclo, reunindo os diferentes atores para discutir as possibilidades e o futuro do Procompi, que passará por uma renovação e será ainda mais potente para as empresas do Ceará e de todo o Brasil. O programa agora está inserido em um guarda-chuva ainda mais amplo, o Juntos pela Indústria, iniciativa que reúne todo o Sistema (SESI, SENAI, IEL, CNI e federações) e o Sebrae e parte de premissas importantes da política industrial e do Mapa Estratégico da Indústria para identificar, em âmbito nacional, os fatores de competitividade nos quais devemos atuar. Nesse contexto, o Procompi é uma das iniciativas priorizadas e deve funcionar como um elemento articulador, capaz de promover maior sinergia e convergência entre as ações desenvolvidas pelo Sistema S em favor da indústria brasileira”, explicou.

Na sequência, o gerente-geral de Competitividade do Sebrae Nacional, Fábio Krieger, destacou a longevidade da parceria entre Sebrae e CNI por meio do Procompi. Com mais de duas décadas de atuação, a iniciativa é a cooperação mais antiga entre as duas instituições e se mantém como referência pela consistência dos resultados alcançados. O gerente-geral também ressaltou a capacidade do Procompi de produzir impactos que ultrapassam indicadores econômicos. Segundo ele, um dos episódios mais marcantes de sua trajetória no Sebrae foi o relato de um empresário atendido pelo programa que, emocionado, contou como a iniciativa havia transformado não apenas seu negócio, mas também a realidade de sua família.

A experiência acumulada pelo Procompi, segundo Krieger, abriu caminho para outras agendas de cooperação entre as instituições, como o Brasil Mais Produtivo, desenvolvido com o SENAI, e iniciativas voltadas à inovação em parceria com a CNI e o IEL. Diante de um ambiente empresarial marcado por mudanças aceleradas, novas configurações das cadeias globais e pelo avanço do nearshoring, ele defendeu uma atuação cada vez mais articulada. “A maior inovação que podemos entregar reside na união de forças complementares”, afirmou.

Krieger destacou a contribuição do Observatório da Indústria, que amplia o acesso a dados e informações estratégicas para orientar políticas e iniciativas de desenvolvimento. “Juntamos o conhecimento da indústria, a inteligência de dados do Sistema FIEC com o conhecimento do Sebrae em pequenos negócios e desenvolvimento territorial. Isso se torna uma potência muito grande”, pontuou.

Essa perspectiva, segundo ele, está na base do Juntos pela Indústria, que conecta diferentes programas e competências em torno de uma agenda comum. “Por meio do Juntos pela Indústria, assumimos o compromisso de não apenas expandir nosso alcance, mas de atender o setor industrial com maior profundidade técnica e impacto duradouro, alinhando nossos portfólios para impulsionar a competitividade do país”, ressaltou Krieger.

O diretor técnico do Sebrae Ceará, Alci Porto, lembrou que a parceria entre o Sebrae Ceará e a FIEC tem despertado o interesse de representantes de outros estados pela integração construída entre as instituições. Segundo ele, o diferencial está na convergência estratégica, construída desde a gestão de Beto Studart e mantida sob a liderança de Ricardo Cavalcante, a partir de um planejamento conjunto orientado pelas necessidades dos empresários e pelas transformações da indústria. “O que nos une não é um produto isolado ou um projeto específico; o que nos une é a estratégia. Não nos propomos a entregar apenas consultorias e capacitações; nosso compromisso é gerar resultado econômico e sustentabilidade para os negócios”, ressaltou.

A abertura do evento contou ainda com a participação da superintendente do IEL Ceará e líder do Fortalecimento Sindical do Sistema FIEC, Dana Nunes, e do diretor regional do SENAI Ceará e superintendente do SESI Ceará, Paulo André Holanda.

Agenda estratégica

Ao longo dos dois dias, a programação articula temas relacionados à competitividade, inovação, sustentabilidade e inserção produtiva das micro e pequenas empresas.  A troca entre gestores de diferentes estados permite compartilhar soluções, identificar oportunidades de aprimoramento e alinhar estratégias para os próximos ciclos do Procompi.

Um dos destaques do primeiro dia da programação foi a mesa “Por Trás do Sucesso: Conversa com Empresários Cearenses”, com a participação de Daniele Tavares, André Siqueira e Paulo Rabelo, cujas empresas foram impulsionadas pelos projetos do Procompi. 

A programação também contemplou a discussão sobre economia azul no Ceará, com participação de Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria, e o debate sobre a inserção produtiva das MPEs na neoindustrialização, conduzido por Guilherme Ottoni, da CNI.

“A temática da Economia Azul vem sendo trabalhada há dez anos e reúne uma série de iniciativas voltadas à competitividade e à sustentabilidade desse setor estratégico para a nossa economia. Entre elas, estão diversas parcerias com o Sebrae, que permitiram levar às empresas projetos capazes de gerar inovação em processos, identificar oportunidades tecnológicas e mercadológicas e ampliar vendas e faturamento. Essa atuação articulada também tem produzido impactos para além das empresas, abrindo oportunidades para pesquisadores, contribuindo para o aprimoramento de políticas públicas, fortalecendo a atuação do Sistema S e ampliando os resultados e a percepção de valor da indústria em relação aos serviços e projetos desenvolvidos”, afirmou Guilherme Muchale, economista-chefe da FIEC e gerente do Observatório da Indústria Ceará.

A agenda avançou por temas estratégicos para a transformação dos negócios, como sustentabilidade e digitalização. A oficina “Construindo o Futuro do Convênio - Aperfeiçoamento dos Projetos Estaduais” criou espaço para troca de experiências e construção de propostas voltadas ao aprimoramento das iniciativas desenvolvidas nos estados.

Na quinta-feira (08/10), os trabalhos começam com a discussão da Agenda Procompi 2026 e 2027, conduzida por representantes do Comitê Nacional. Em seguida, a programação aborda produção, o aperfeiçoamento dos projetos estaduais e iniciativas relacionadas a negócios, vendas digitais e expansão de mercados. A última atividade será uma visita técnica à Benatêxtil, empresa cearense que obteve grandes resultados a partir da participação no programa.  

Ao avaliar os resultados e os próximos passos do Procompi, Suzana Peixoto, gestora nacional do programa, destacou o papel do encontro como espaço de intercâmbio e aprimoramento das ações voltadas às micro e pequenas indústrias. A agenda reúne representantes da CNI, das Federações das Indústrias e do Sistema Sebrae para compartilhar experiências, discutir aperfeiçoamentos e acompanhar tendências globais capazes de ampliar a oferta de conhecimento às empresas. O Ceará, segundo Suzana, ocupa posição de destaque nessa trajetória, com mais de 40 projetos executados desde o início dos ciclos de convênios. “É um grande parceiro, tanto a FIEC quanto o Sebrae Ceará, na execução desses projetos e no alcance de grandes resultados para as pequenas indústrias”, afirmou.

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