Sindcalf promove capacitação sobre impactos do endividamento na saúde e na permanência do trabalhador
O Sindicato das Indústrias de Calçados de Fortaleza (Sindcalf), com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e do Sebrae Ceará, realizou, na manhã desta sexta-feira (02/10), na Casa da Indústria, a capacitação “O Impacto do Endividamento na Saúde, na Segurança e na Permanência do Trabalhador”. Ministrado por Elisa Miranda, CEO da Qualité MT Medicina e Segurança do Trabalho, o encontro reuniu empresários e profissionais do setor para discutir os efeitos do endividamento na saúde dos trabalhadores e seus reflexos no ambiente empresarial.
De acordo com o presidente do Sindcalf, André Luis Pinto, a iniciativa busca colocar em discussão temas que fazem parte da realidade dos trabalhadores e das empresas. “A ideia do sindicato é sempre trazer assuntos que fazem parte do dia a dia dos calçadistas e de outros setores. No caso de hoje, foi a questão do impacto que o endividamento traz, seja por bets, empréstimos ou outras situações, que hoje são uma realidade no Brasil”, destacou.
Segundo André, além dos impactos financeiros, o endividamento pode repercutir na vida profissional e social dos trabalhadores. “Isso acaba trazendo vários impactos financeiros, inclusive para as empresas, porque pode resultar em mais atestados e em pessoas pedindo demissão para pagar dívidas. O endividamento também impacta a vida social do trabalhador e pode gerar conflitos que não contribuem para a evolução dos trabalhadores nem das empresas onde atuam”.
Durante a capacitação, Elisa Miranda abordou a relação entre endividamento, saúde mental e permanência dos profissionais nas empresas. Para ela, o cenário exige que as organizações também voltem a atenção para os trabalhadores que já integram seus quadros. “Hoje, o endividamento tem sido muito frequente dentro das empresas, por diversos fatores, incluindo as bets. Isso impacta a saúde dos colaboradores, principalmente a saúde mental, e acaba acarretando atestados, acidentes e turnover”, explicou.
A especialista também chamou atenção para situações em que trabalhadores deixam o emprego formal em razão de dívidas. “Temos acompanhado empresas em que muitos colaboradores pedem demissão para ter acesso às verbas rescisórias e pagar dívidas. Outros deixam o emprego formal para trabalhar informalmente, buscando uma renda sem os descontos em folha dos empréstimos consignados”, relatou.
Nesse contexto, Elisa destacou a importância de as empresas adotarem estratégias para a retenção dos profissionais e ampliarem o cuidado com a saúde mental. “Mais do que buscar mão de obra fora, as empresas precisam olhar para quem já está dentro e entender o que podem fazer para reter esses profissionais. Nesse cenário, entra também a atualização da NR-1, com o olhar para a saúde mental, para garantir que os trabalhadores estejam saudáveis, sejam produtivos e contribuam para os resultados e a sustentabilidade das empresas”, afirmou.
Presidente do Conselho Temático de Economia, Finanças e Tributação (COFIN) da FIEC, Emílio Moraes ressaltou que a discussão sobre o trabalhador ganha ainda mais relevância diante do cenário de mudanças vivido pelas empresas. “Estamos vivendo um momento bastante desafiador para as empresas, inclusive com o início dos efeitos da reforma tributária. A palestra também representa uma preparação para as mudanças que teremos pela frente no próximo ano. Mas, acima de tudo, nosso olhar está voltado para as pessoas que fazem as empresas acontecerem”.





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