MuseuLab forma 80 estudantes do SESI Ceará em audiovisual e fotografia
Depois de quatro meses entre câmeras, roteiros, fotografias, gravações e ilhas de edição, 80 estudantes da Rede SESI Ceará chegaram ao encerramento de uma experiência que ultrapassou a aprendizagem técnica. O MuseuLab – Trilhas Criativas – 80 anos SESI concluiu a formação gratuita em audiovisual e fotografia destinada a alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio das Escolas SESI SENAI.
A primeira apresentação dos resultados foi realizada, nesta quinta-feira (17/09), na Escola SESI SENAI Parangaba. Os corredores da unidade receberam uma exposição com fotografias produzidas pelos estudantes da própria escola durante a formação. O público também assistiu aos minidocumentários desenvolvidos pelas turmas das quatro unidades participantes do projeto, resultado de um processo em que os jovens vivenciaram desde a escolha dos temas, pesquisa e construção dos roteiros até operação de câmera, edição e finalização dos trabalhos.
O ciclo de apresentações ainda continua. As Escolas SESI SENAI Centro, Maracanaú e Barra do Ceará também receberão momentos próprios para apresentar os resultados e as produções fotográficas desenvolvidas por seus estudantes ao longo do MuseuLab.
Participaram do encerramento na Parangaba Eduardo Oliveira, consultor da Gerência de Projetos do Conselho Nacional do SESI; Luis Carlos Sabadia, gestor do Museu da Indústria; Patrícia Xavier, Coordenadora Pedagógica do Museu; Edcarlos Araújo, analista educacional do Museu da Indústria e um dos profissionais fundamentais para a realização do projeto; Paulo Botafogo, Diretor da Escola SESI SENAI Parangaba; além de instrutores, colaboradores do Museu, estudantes e familiares.
Promovido pelo Museu da Indústria, equipamento cultural do SESI Ceará e do Sistema FIEC, com incentivo do Conselho Nacional do SESI, o projeto aproximou uma nova geração do universo do audiovisual, da fotografia e da cultura digital. A iniciativa também integrou as comemorações pelos 80 anos do SESI.
“Quero parabenizar todos os alunos que concluíram essa formação, assim como os colaboradores do Museu da Indústria e os instrutores que tornaram essa ação possível. Projetos como o MuseuLab contribuem para desenvolver inúmeras competências nos jovens, como criatividade, trabalho em equipe, comunicação, autonomia e olhar crítico. Esperamos que eles possam seguir utilizando as técnicas que aprenderam e, principalmente, aprofundando esses conhecimentos em novas experiências, projetos e até em futuras escolhas profissionais”, declarou Eduardo.
Da fotografia ao minidocumentário
O MuseuLab foi desenvolvido entre junho e setembro e reuniu estudantes das unidades SESI Barra do Ceará, SESI Centro, SESI Parangaba e SESI Maracanaú. Para as 80 vagas oferecidas, quase 180 jovens participaram do processo de seleção. Além da formação gratuita, os selecionados receberam bolsa mensal de R$ 400 durante os quatro meses do projeto, como apoio para despesas com alimentação e transporte.
Ao longo do percurso, os alunos tiveram contato com fotografia, vídeo, cultura digital, linguagem para redes sociais, pesquisa e produção criativa. O projeto forneceu a estrutura necessária para as atividades, incluindo câmeras, lentes, iluminação, tripés, computadores e outros equipamentos utilizados durante as aulas e produções.
Segundo Luis Carlos Sabadia, o encerramento materializa um processo construído coletivamente pelos estudantes. Entre os resultados estão as exposições fotográficas produzidas em cada unidade e oito minidocumentários, desenvolvidos por grupos de dez alunos.
“Durante a formação, eles passaram por todo esse processo e chegaram a dois grandes produtos finais: a exposição fotográfica e os oito minidocumentários. Os alunos trabalharam em equipe desde a definição do tema e do enredo até o roteiro e a produção. É muito importante chegar ao final e perceber o que eles conseguiram construir a partir dessa experiência”, destacou Sabadia.
O projeto deixa ainda um legado que continuará disponível depois do encerramento das turmas. O Museu da Indústria passou a contar com uma estrutura de audiovisual equipada com câmeras, computadores, ilhas de edição, televisores, iluminação e microfones. A proposta é que os estudantes possam continuar utilizando os recursos em novas produções ligadas às atividades das escolas, inclusive na criação de conteúdos para equipes que participam de campeonatos de robótica.
“Aprendi a olhar a vida com mais atenção”
Mais do que dominar equipamentos e técnicas, os estudantes também foram estimulados a desenvolver um olhar crítico e criativo sobre as imagens e as histórias que desejavam contar.
Um dos instrutores do projeto, o fotógrafo e produtor audiovisual Tibico Brasil, destacou que a experiência também foi um processo de aprendizagem para quem esteve à frente das turmas.
“A formação foi um laboratório para todos nós. Foi uma experiência para os alunos, para os professores, para a gestão e para a escola. Falamos sobre fotografia, vídeo e luz, mas também falamos muito sobre a vida. Foi muito especial acompanhar esses jovens, conhecer a maneira como eles enxergam o mundo e chegar ao final vendo nas imagens um pouco da história que construímos juntos”, afirmou.
Essa transformação aparece no relato do estudante Ângelo, que encontrou na formação não apenas novos conhecimentos, mas também mais segurança em relação à profissão que pretende seguir.
“Eu não aprendi apenas a gravar vídeos e tirar fotos. Aprendi a olhar a vida com mais atenção e perceber pequenos momentos que, muitas vezes, passam despercebidos na correria. Durante uma das aulas práticas, quando participei da produção do documentário como diretor de fotografia, olhei para a equipe trabalhando junta e tive certeza da profissão que quero seguir. O curso termina aqui, mas agora começa o momento de colocar em prática tudo o que aprendemos”, contou.
A própria fotografia também se transformou em metáfora para o aprendizado construído durante os quatro meses. Em uma das falas dos estudantes no encerramento, a mudança de ângulo de uma fotografia foi relacionada à capacidade de enxergar a própria vida sob novas perspectivas, uma das reflexões que marcaram a experiência da turma.
Formação para além da sala de aula
Desde sua concepção, o MuseuLab foi estruturado para aproximar os estudantes das chamadas indústrias criativas e apresentar possibilidades profissionais que nem sempre fazem parte do cotidiano escolar.
Na abertura do projeto, Sabadia já havia destacado que o audiovisual possui forte capacidade de integração com diferentes setores da economia e pode abrir novas perspectivas profissionais para os jovens. A proposta era permitir que estudantes acostumados a consumir imagens e conteúdos digitais também conhecessem os processos envolvidos na criação e produção desses materiais.
Para a equipe responsável pela formação, o resultado também reforça a importância de oferecer experiências em que os jovens possam experimentar diferentes linguagens antes de fazer escolhas profissionais. Ao longo dos quatro meses, eles deixaram a posição de espectadores e passaram a assumir funções como fotógrafos, roteiristas, operadores de câmera, diretores e editores.
Com as primeiras produções concluídas e uma estrutura de audiovisual que permanecerá disponível, a proposta agora é que os conhecimentos construídos durante o MuseuLab continuem sendo utilizados pelos estudantes em novos projetos, dentro e fora da escola. As próximas apresentações nas unidades Centro, Maracanaú e Barra do Ceará darão continuidade ao encerramento da primeira edição da iniciativa.





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