Festival “O Futuro das Profissões” encerra programação dos 12 anos do Museu da Indústria
Neste fim de semana, as comemorações aos 12 anos do Museu da Indústria (SESI/FIEC) foi encerrada com a programação do festival “O Futuro das Profissões”.
No sábado (12/09), o auditório do Museu da Indústria recebeu uma série de debates, iniciando com o tema “O processo curatorial da exposição O Futuro das Profissões”, mediado pela coordenadora de exposições e ações culturais do SESI Lab (DF), Carol VIlas Boas. Participaram da mesa o historiador da UFRJ, Paulo Fontes, e o comunicador social da UFRJ, André Couto - ambos, junto a Carol, fizeram parte da concepção da exposição que originalmente foi inaugurada em 2022; e a especialista do Observatório da Indústria Ceará, Mariana Biermann.
“Nós pensamos essa exposição para o público que está à beira da escolha das profissões. Mas ela abrange todos os públicos mesmo. Então, quem é mais velho vai se identificar. Profissões que, hoje, quase desapareceram, eram tidas como profissões de futuro. Nesses 12 anos do Museu da Indústria, é muito bacana a gente está com uma exposição que bebe do passado, com as questões do presente, mas sempre olhando para o futuro, que eu acho que é a grande conexão que os museus podem fazer”, disse Carol Vilas Boas.
“Quando a gente concebeu a exposição, era justamente para trazer reflexões e, também, desmistificar esse fetiche que temos na tecnologia. Como historiador, eu acho que a exposição tem essa contribuição, sem ser normativa ou querer criar regras, na reflexão sobre as possibilidades do futuro e pensar que o ele também está a ser escrito, é um campo em aberto”, comentou Paulo Fontes.
Para André Couto, a exposição traz, já em seu título, um caminho importante para abrir as percepções sobre passado, presente e o que está por vir. “O nome da exposição já tem uma chave do que propusemos, pois ela se chama ‘O Futuro das Profissões’, e não ‘As Profissões do Futuro’. Nós não sabemos quais serão as profissões futuras, mas queremos discutir qual é o futuro dessas profissões e como nós podemos nos inserir nesse futuro que não é um um horizonte fatalista; é construído a partir do que a sociedade quer. Portanto, prever o futuro não é o melhor caminho, mas, sim, como nos colocamos diante de um futuro que é incerto”, conclui.
Já Mariana Biermann apresentou dados de estudos desenvolvidos pelo Observatório da Indústria Ceará. “A ideia foi trazer um pouco dos nossos estudos sobre competências, educação para o setor industrial, sempre com a lógica de incertezas, sinais de mudança e tendências que afetam desde a questão da tecnologia, ao meio ambiente, às pessoas, à cultura, enfim. Então, trouxemos algo transversal para contribuir com as pessoas a compreender um pouco desse pensamento voltado a ‘futuros’ (no plural)”.

Em seguida, o público participante assistiu ao “O futuro das profissões na moda”, mediado pelo especialista técnico em Design do SENAI Ceará, Deoclys Bezerra, com participação da docente do SENAI Ceará, Bruna Sophie; do designer da Trama Afetiva, Jackson Araújo; e dos especialistas do Observatório da Indústria Ceará, Mariana Biermann e David Guimarães Coelho.
A programação seguiu, à tarde, com o debate “Economia Azul e o Futuro das Profissões”, mediado pelo Presidente da Câmara Setorial da Economia Azul, Rômulo Alexandres, com participação da coordenadora do Laboratório de Economia Azul e Cultura Oceânica, Janaína Lopes; da diretora do Labomar (UFC), Lidriana de Souza Pinheiro e, mais uma vez, Mariana Biermann.
Finalizando o sábado, o debate se voltou para “O Futuro do Trabalho: Data Centers e Energias Renováveis”, com mediação da Assessora do SENAI Ceará para Transição Energética, Isabela Maciel, e participação da superintendente de ESG e HSE da OMNIA Data Centers, Juliana Inaoka; da head de RH e Gestão da Aeris Energy, Margarida de Jesus; e da instrutora educacional do SENAI Ceará, Lizandra Régia.
“É muito relevante tratar de energias e data centers, quando a gente pensa no futuro das profissões. Isso porque o Ceará, hoje, é destaque no Brasil, com o maior número de usinas eólicas e solares e, além disso, temos o advento dos data centers, que são grandes consumidores de energia e vão utilizar essa energia renovável para ter incentivos fiscais. Então, é um mercado altamente aquecido e, com isso, a gente espera que muitos profissionais, formados pelo SENAI ou em outras instituições de ensino, consigam um espaço no mercado de trabalho”, disse Isabela Maciel.
Em paralelo, no espaço da exposição “O Futuro das Profissões”, o público pôde assistir à encenação da esquete teatral “Treinamento Analógico”, pelos atores da Trupe Caba de Chegar: Haroldo Aragão, Fernanda Zeballos e Pedro Dias.
Domingo para as crianças de todas as idades
No domingo, 13/09, a programação foi realizada no Passeio Público, em frente ao Museu da Indústria, no Centro de Fortaleza, com intervenções artísticas, como a apresentação da esquete “Treinamento Analógico”, além do show “Inventos”, com o Duo Badulaque. A manhã de atividades também contou com avaliação corporal e orientações de saúde e nutrição do SESI Ceará; a apresentação da robótica educacional, com as escolas da rede SESI; além de pintura facial para as crianças, esculturas de balão e outras atrações.
As comemorações iniciaram na sexta-feira, 11/09, na sede da Federação das Indústria do Estado do Ceará (FIEC), na Aldeota. O público acompanhou talk shows com o futurista, consultor e palestrante Carlos Piazza e com a administradora, educadora financeira, empresária e escritora Nath Finanças.
O gestor do Museu da Indústria, Luis Carlos Sabadia, ressaltou que celebrar o aniversário discutindo o futuro dialoga com a própria trajetória construída pelo equipamento ao longo dos últimos 12 anos. “Um museu é muito mais do que um lugar de guarda de objetos e histórias. Ele nos ajuda a compreender de onde viemos, quem somos e, principalmente, a imaginar coletivamente quem podemos ser. Por isso é tão simbólico celebrar os 12 anos do Museu da Indústria falando de futuro, educação e mundo do trabalho, temas que estão na essência da atuação do SESI”, disse Sabadia.
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