SENAI Ceará fortalece ação de inclusão produtiva feminina com nova turma do Projeto Alquimia Têxtil
Alunas de 14 a 18 anos da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Marwin concluíram, na unidade do SENAI Ceará na Parangaba, a terceira edição do Projeto Alquimia Têxtil. Desenvolvida pelo Instituto InMag em parceria com o SENAI Ceará, a iniciativa integra uma ação de inclusão produtiva feminina que já qualificou mulheres em situação de vulnerabilidade social e que, nesta nova etapa, ampliou seu alcance ao atender estudantes da rede pública. Durante a formação, as jovens aprenderam técnicas de modelagem, corte, costura, patchwork e upcycling (termo em inglês correspondente ao reaproveitamento criativo de resíduos têxteis), aliando moda sustentável, economia circular e qualificação profissional.
Com carga horária de 20 horas, a formação combinou conteúdos teóricos e atividades práticas, por meio dos quais as participantes transformaram retalhos e materiais que seriam descartados em novas peças de vestuário e acessórios. A experiência estimulou a criatividade, a inovação e o olhar para o reaproveitamento de resíduos como oportunidade de geração de valor na cadeia da moda.
Além da formação técnica, as estudantes receberam orientações voltadas ao empreendedorismo, à geração de renda e ao desenvolvimento de competências pessoais, fortalecendo sua autonomia por meio da moda sustentável.
A conclusão da capacitação foi celebrada com a entrega dos certificados, no ocasião as alunas apresentaram as criações desenvolvidas ao longo do curso. As peças evidenciaram o potencial do design sustentável como ferramenta de inovação, criatividade e geração de valor para a cadeia da moda.
A especialista em Projetos da Unidade de Educação do SENAI Ceará, Cláudia Mara de Vasconcelos, destaca que o Projeto Alquimia Têxtil fortalece uma estratégia já desenvolvida pela instituição para ampliar a inclusão produtiva e a autonomia econômica de mulheres e meninas por meio da educação profissional. "O SENAI Ceará já mantém articulações com diversas organizações e instituições, como o IPREDE e o Grupo Mulheres do Brasil, para promover a formação de mulheres e meninas voltada ao mercado de trabalho, à indústria e à geração de autonomia econômica. A parceria com o Instituto InMag, por meio do Projeto Alquimia Têxtil, fortalece ainda mais essa atuação ao incorporar elementos relacionados ao artesanato e à sustentabilidade", afirma.
Ao mesmo tempo, a analista de Marketing e Projetos do SENAI Parangaba, Paula Couto, expõe que a parceria com o Instituto InMag reforça o papel do SENAI Ceará na aproximação entre educação profissional e as demandas da indústria da moda. "Esta é a terceira turma realizada em parceria com o Instituto InMag, e iniciativas como essa são muito importantes para fortalecer os setores têxtil e de vestuário, que têm grande relevância para a indústria cearense. A formação permite que os participantes tenham contato com técnicas e práticas do setor, ao mesmo tempo em que o SENAI Ceará contribui para o desenvolvimento de novos talentos para o mercado de trabalho", afirma.
Nova etapa amplia o impacto social do projeto
As duas primeiras edições do Projeto Alquimia Têxtil, realizadas entre novembro e dezembro de 2025 e em abril de 2026, qualificaram 26 mulheres em situação de extrema vulnerabilidade social. Nesta terceira turma, o projeto ampliou seu alcance ao atender estudantes da rede pública, mantendo a proposta de promover inclusão produtiva por meio da moda sustentável e da economia circular.
Para o CEO do Instituto InMag, Fábio Caracas, a iniciativa demonstra que a metodologia pode transformar diferentes públicos por meio da qualificação profissional e da sustentabilidade. "O projeto foi pensado para gerar transformação social por meio da moda. Começamos com mulheres em situação de vulnerabilidade e agora estamos levando essa experiência para jovens estudantes. Além de aprenderem modelagem, corte, costura e técnicas de reaproveitamento de resíduos têxteis, elas desenvolvem uma consciência sobre sustentabilidade e economia circular. Materiais que antes seriam descartados passam a se transformar em produtos com valor agregado e até em uma oportunidade de geração de renda", destaca.
Formação desperta novos caminhos para a carreira na moda
O contato com técnicas sustentáveis e com a infraestrutura do SENAI Ceará também marcou a trajetória das estudantes que participaram da terceira turma do Projeto Alquimia Têxtil. Para muitas delas, a formação representou o primeiro contato com o ambiente da educação profissional voltada à indústria e ampliou as perspectivas de atuação no setor da moda.
A estudante Evelyn Barbosa contou que chegou ao curso com receio por se tratar de uma experiência inédita, mas terminou a capacitação motivada a seguir na área. "Cheguei com um pouco de medo porque era uma realidade totalmente nova para mim. Ao longo do curso, fui conhecendo melhor esse universo e percebi como o mundo da moda é amplo. A experiência no SENAI ampliou minha visão e despertou ainda mais minha vontade de continuar aprendendo e construir uma carreira nesse ramo", afirma.
Já a aluna Laiza Silva de Oliveira, que também cursa o técnico em Vestuário na rede estadual, disse que a formação superou suas expectativas ao proporcionar experiências práticas que complementaram os conhecimentos adquiridos em sala de aula. "Achei que iria apenas revisar conteúdos que já tinha aprendido, mas o curso foi muito além. Tivemos a oportunidade de criar uma bolsa do zero utilizando retalhos, o que estimulou nossa criatividade e mostrou, na prática, como a moda sustentável pode transformar resíduos em novos produtos. O SENAI abriu uma porta para mim, fortalecendo ainda mais meu interesse em seguir carreira na área da moda", relata.
A professora Jana Moura, responsável pela formação técnica das estudantes, também ressalta a importância de ver jovens se aproximando da costura e enxergando novas possibilidades profissionais na área da moda. Com mais de 40 anos de experiência no setor, ela acredita que a qualificação e a busca por diferenciação são fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva.
"Sou costureira desde os 9 anos de idade e, hoje, com 50 anos, fico muito feliz em ver essas meninas se interessando pela costura. Existe uma percepção de que não há mais mão de obra ou de que as pessoas não querem seguir essa profissão, mas o mercado existe para quem busca fazer um trabalho de qualidade e desenvolver produtos diferenciados. Aqui, elas não aprenderam apenas a criar, mas também a desenvolver a modelagem e confeccionar as peças, unindo conhecimento técnico e prática", afirma.
Para Jane, a presença de jovens na formação representa uma perspectiva positiva para o futuro da indústria da moda. "Nas outras edições, tivemos mulheres de diferentes idades, inclusive pessoas com mais de 70 anos. Agora, ver meninas com menos de 20 anos se interessando por esse universo renova minha esperança de que a cadeia da moda continue forte e de que sempre teremos pessoas com paixão pela costura", conclui.







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