Observatório da Indústria Ceará apresenta estudo sobre o setor de eventos no maior congresso da indústria MICE da América Latina
Os principais indicadores da indústria de eventos no Brasil foram destaque de conferência magna no encerramento do 42º Congresso COCAL 2026, maior congresso da indústria MICE (sigla em inglês para Reuniões, Incentivos, Conferências e Exposições) da América Latina. Na ocasião, o Observatório da Indústria Ceará, centro de inteligência de dados do Sistema FIEC, apresentou o III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025. Resultado da parceria entre o Sebrae Nacional e a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil), o estudo foi desenvolvido pelo SENAI-CE por meio da execução técnica do Observatório da Indústria Ceará. A publicação reúne dados e análises sobre a dimensão do setor de eventos no Brasil, contemplando indicadores relacionados à geração de empregos, faturamento, sustentabilidade, perfil empresarial e dinâmica regional da atividade, oferecendo informações estratégicas para orientar investimentos, políticas públicas e decisões empresariais.
A apresentação foi conduzida pelo gerente do Observatório da Indústria Ceará e economista-chefe do Sistema FIEC, Guilherme Muchale, e pelo pesquisador do Observatório, Yuri Timbó, com mediação da conselheira da ABEOC Brasil, Anita Pires.
Ao destacar a importância do trabalho conjunto para a elaboração do estudo, Anita ressaltou a contribuição do Sistema FIEC para o setor. "O Observatório da Indústria Ceará tem uma capacidade e um conhecimento extraordinários para ajudar o Brasil. A construção desse terceiro dimensionamento foi um trabalho coletivo, realizado com apoio do Sebrae, das entidades representativas e com a excelência técnica do Observatório", afirmou.
Segundo Guilherme Muchale, o estudo fortalece a capacidade de planejamento e de tomada de decisão do setor ao reunir dados consistentes sobre sua dimensão econômica. "Hoje somos o maior observatório do Sistema S brasileiro e ficamos muito felizes em contribuir tecnicamente para o dimensionamento de um setor tão relevante para a economia. Com esses números, fica mais fácil demonstrar a importância da atividade, subsidiar políticas públicas, sensibilizar os parlamentares e fortalecer a estratégia de comunicação do segmento", destacou.
Panorama do setor
Entre os principais resultados apresentados, o estudo aponta que o setor de eventos movimenta R$ 813 bilhões, o equivalente a 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de gerar aproximadamente 12,7 milhões de empregos. O número de eventos realizados também apresentou crescimento expressivo, passando de 590 mil registros no levantamento anterior para aproximadamente 10 milhões.
Ao longo de 18 meses de trabalho, foram aplicados mais de mil questionários com empresas do setor em todas as regiões do país. A pesquisa também envolveu workshops regionais e processos de validação dos resultados conduzidos em parceria com 16 entidades representativas da cadeia produtiva. Ao todo, conforme Muchale, foram mais de 14 mil horas técnicas dedicadas ao projeto e cerca de 1.500 horas de reuniões para construção e aperfeiçoamento da metodologia, o que contribuiu para ampliar a representatividade dos resultados e assegurar a comparabilidade com as edições anteriores.
Durante a apresentação, Yuri Timbó detalhou outros indicadores revelados pelo levantamento. Segundo o estudo, o Brasil conta hoje com cerca de 220 mil espaços para eventos, distribuídos por todas as regiões do país, evidenciando a capilaridade da atividade. "Os eventos fazem parte do dia a dia das pessoas. Essa magnitude demonstra o quanto o setor está presente na sociedade e reforça sua relevância econômica e social", observou.
O estudo também evidencia o avanço da agenda ESG na indústria de eventos. De acordo com a pesquisa, 76,3% das empresas afirmaram adotar programas de gestão de resíduos; 72,1% relataram desenvolver ações para redução do consumo de água; 57,2% disseram utilizar materiais sustentáveis; e 33,5% afirmaram fazer uso de energia renovável. "O setor tem se esforçado para incorporar essas práticas, o que é essencial em uma atividade que mobiliza tantas cadeias produtivas", ressaltou Yuri.
Além dos indicadores econômicos, o levantamento promoveu workshops em todas as regiões do país para identificar tendências, desafios e oportunidades da indústria de eventos. Entre os principais desafios apontados pelos participantes estão o fortalecimento das políticas públicas, o desenvolvimento regional e o estímulo à sustentabilidade, respeitando as especificidades de cada território. "Esse diagnóstico permite compreender melhor as demandas locais e apoiar a construção de políticas e estratégias mais alinhadas à realidade do setor", explicou Yuri Timbó.
Realizado entre os dias 1º e 3 de julho, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, o Congresso COCAL 2026 é reconhecido como o principal fórum latino-americano da indústria de eventos e do turismo de negócios. O encontro reuniu líderes, especialistas e representantes do setor para discutir temas estratégicos como inovação, inteligência artificial, aplicação do Sistema S no ecossistema de eventos, impactos da Reforma Tributária e estratégias de captação de investimentos.
Confira o estudo completo aqui.
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