FIEC recebe diretor do MIT, que destaca sintonia entre desafios da indústria global e potencial do Ceará
A visita do diretor do Programa de Ligação Industrial (Industrial Liaison Program – ILP) do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Yuri Ramos, à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), nesta segunda-feira (15/06), evidenciou como o potencial do Ceará dialoga com as transformações que vêm redefinindo a indústria em escala global. Recebido pelo Presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, na Casa da Indústria, o representante do instituto norte-americano destacou a convergência entre as vocações do estado e as agendas que hoje mobilizam algumas das maiores empresas do mundo, especialmente em áreas como transição energética e inteligência artificial.
Também participaram do encontro Dana Nunes, Superintendente do IEL Ceará e Líder da Transformação Digital do Sistema FIEC; Paulo André Holanda, Diretor Regional do SENAI Ceará e Superintendente do SESI Ceará; Guilherme Muchale, Economista-chefe do Sistema FIEC e Gerente do Observatório da Indústria Ceará; Edgar Gadelha, Diretor Financeiro da FIEC; e Lauro Chaves, Assessor Econômico da FIEC.
Desde 2023, o Sistema FIEC mantém uma parceria estratégica com o MIT voltada ao desenvolvimento de soluções aplicáveis à realidade industrial cearense. Primeira federação da indústria do Brasil a integrar o ILP, a FIEC atua em conjunto com especialistas do instituto estadunidense e equipes técnicas do SESI Ceará, SENAI Ceará, IEL Ceará e Observatório da Indústria Ceará na cocriação e gestão de projetos com potencial de aplicação prática no setor produtivo.
O portfólio dessa cooperação reúne iniciativas em áreas como energia, saúde, segurança do trabalho, inteligência artificial, sustentabilidade e educação. A parceria também contempla webinars, mentorias, intercâmbio de startups e ações de produção e disseminação de conhecimento com aplicação direta na indústria.
Após o encontro, Yuri Ramos destacou a visão estratégica apresentada por Ricardo Cavalcante sobre os desafios e oportunidades que se desenham para a indústria em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, reorganização das cadeias produtivas e avanços tecnológicos acelerados.
Segundo ele, o presidente da FIEC conduziu uma análise que conectou tendências globais às potencialidades locais, evidenciando o protagonismo cearense em temas ligados à energia sustentável. "O Presidente da FIEC deu, sinceramente, uma verdadeira aula, especialmente na questão de energia. Ele mostrou vários cenários globais, comparando Estados Unidos, China, Europa e Brasil. Começamos do macro e depois fomos para o micro, falando do Ceará. É muito impressionante ver o potencial que o Estado tem quando o assunto é energia renovável", afirmou.
Ramos observou ainda que, após os impactos provocados pela pandemia e pelas mudanças no cenário geopolítico, empresas de diferentes setores passaram a incorporar novos fatores estratégicos em seus processos de tomada de decisão. "Hoje, entre os nossos clientes do MIT e do ILP, muitas empresas estão olhando para questões ligadas à geopolítica. Isso não acontecia há dois ou três anos. O mundo está diferente", destacou.
Convergência com as agendas da indústria mundial
Na avaliação do diretor do ILP, a sintonia entre as prioridades do Ceará e os interesses das principais empresas globais cria condições favoráveis para o aprofundamento da relação entre o MIT e a FIEC. Ele citou, como exemplo dessa convergência, a implantação de novos Institutos SENAI de Inovação (ISI) no estado, voltados para temas estratégicos relacionados à transição energética e às tecnologias emergentes.
"A FIEC foi a primeira federação da indústria do Brasil a se associar ao programa do ILP. Os temas que esses novos Institutos SENAI de Inovação irão trabalhar estão super alinhados com tecnologias e desafios que vejo diariamente junto às grandes empresas do mundo. Entre eles, inteligência artificial e transição energética", afirmou.
Com atuação junto a cerca de 200 das maiores companhias globais, Ramos destacou que o MIT acompanha de perto as transformações que têm orientado os investimentos e as estratégias industriais ao redor do mundo. "Nós sabemos quais são os grandes interesses e desafios dessas empresas. O potencial e a sinergia entre o MIT e o Ceará são muito grandes. Ainda não temos nada claramente definido, mas esperamos, quem sabe, anunciar em breve alguma nova parceria, algum projeto de pesquisa ou interações entre startups do MIT e empresas do Ceará. Definitivamente, vamos nos aproximar ainda mais", disse.
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