Ocean Summit 2026 encerra com construção da Agenda Prioritária 2040 para impulsionar a Economia Azul no Ceará
Definir prioridades para transformar o potencial marítimo do estado em desenvolvimento sustentável foi o principal resultado do encerramento do Ocean Summit 2026, realizado nos dias 08 e 09 de junho, na Casa da Indústria. O encontro avançou na construção da Agenda Prioritária 2040 para a Economia Azul no Ceará, documento estratégico e colaborativo que irá orientar ações e iniciativas para o setor nas próximas décadas.
Promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), por meio do Observatório da Indústria Ceará, em parceria com o Sebrae e com apoio do Hub ODS Ceará, da Câmara Setorial de Economia Azul da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE) e do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Estado do Ceará (SINDFRIO), o Ocean Summit 2026 reuniu representantes do setor produtivo, academia, poder público e ecossistemas de inovação em torno do desafio de consolidar a Economia Azul como uma estratégia estruturante para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Ceará.
Como etapa decisiva desse processo, a programação de encerramento contou com cinco painéis temáticos voltados ao aprofundamento da Agenda Prioritária 2040: governança e ordenamento do espaço marítimo; transição ecológica e resiliência climática; reconfiguração econômica e das cadeias azuis; digitalização e infraestrutura inteligente do mar; e bioeconomia azul e valorização dos recursos biológicos marinhos.
Em cada um desses temas, os participantes foram convidados a identificar os principais obstáculos ao desenvolvimento, discutir direcionadores estratégicos e propor ações prioritárias capazes de impulsionar resultados de longo prazo.
Vale lembrar que a construção da Agenda Prioritária 2040 também incorpora uma visão de futuro que projeta o Ceará como um ecossistema integrado da Economia Azul. Na prática, isso significa fortalecer a conexão entre cadeias produtivas como pesca, turismo, logística, energia, bioeconomia e serviços oceânicos, estimulando a cooperação entre empresas, governo, instituições de ensino e pesquisa e demais atores do ecossistema de inovação.
Segundo Mariana Matos, coordenadora técnica de Prospectiva e Cooperação Estratégica do Observatório da Indústria Ceará, o Ocean Summit integra um movimento mais amplo de reposicionamento da Economia Azul como vetor de transformação para o estado.
"A ideia é atualizar a importância do que estamos chamando de estratégia da Economia Azul, que é muito mais ampla do que a economia do mar. No primeiro dia do Ocean Summit, tivemos uma visão mais expositiva sobre a metodologia e construímos coletivamente a visão de futuro e a identificação de oportunidades. Já neste segundo momento, aprofundamos a discussão sobre as barreiras e as iniciativas prioritárias que irão compor a Agenda Prioritária 2040", explicou.
Governança e ordenamento do espaço marítimo: bases para o desenvolvimento sustentável
Os desafios e oportunidades relacionados à governança do oceano e ao ordenamento do espaço marítimo pautaram os debates do painel "Governança e Ordenamento do Espaço Marítimo", correspondente ao primeiro eixo estratégico da Agenda Prioritária 2040.
Abrindo as discussões, o Comandante de Fragata Daniel Sodré apresentou o Planejamento Espacial Marinho (PEM) da Amazônia Azul e destacou o papel da governança no desenvolvimento das atividades ligadas ao mar. "Um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento da economia do mar é a governança, ou seja, uma forma de ordenar melhor e utilizar melhor esse espaço", afirmou.
Na sequência, a diretora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar/UFC), Lidriana de Souza Pinheiro, compartilhou a experiência do PEM Nordeste, desenvolvido por um consórcio de universidades da região. Segundo ela, o planejamento deve ser encarado como uma oportunidade para ampliar o conhecimento sobre o território marinho e orientar investimentos. "Planejar o mar hoje é ampliar as possibilidades das futuras gerações", ressaltou.
Representando a Câmara Setorial de Economia Azul da ADECE, Beto Gradvohl defendeu a integração entre desenvolvimento econômico, ciência e inclusão social como pilares da Economia Azul. "A Economia Azul é um processo transformador e tem condições de gerar milhares de empregos, mas precisa estar atrelada à ciência e levar uma vida melhor ao cidadão", destacou.
Já o vice-presidente da Academia Cearense de Economia, Célio Fernando Bezerra, chamou a atenção para a necessidade de uma visão ampla sobre o planejamento marítimo, considerando as dinâmicas globais que influenciam os oceanos. "Se eu não conseguir entender o que acontece no mundo, eu não vou conseguir fazer um bom planejamento, porque as relações são essas", observou.
Da biodiversidade à inovação: o potencial estratégico da bioeconomia azul
Já no painel dedicado à "Bioeconomia Azul e Valorização de Recursos Biológicos Marinhos", foi discutido como transformar a biodiversidade marinha em fonte de inovação, competitividade e geração de valor para a Economia Azul cearense.
A programação contou com a participação do economista português Miguel Marques, referência internacional em Economia Azul e integrante do painel de peritos das Nações Unidas para a Década da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável. Em sua apresentação, ele compartilhou a experiência do Pacto Bioeconomia Azul, iniciativa implementada em Portugal para aproximar ciência e mercado.
Miguel relembrou que, há poucos anos, havia dúvidas sobre o interesse do setor produtivo português em investir em biotecnologia azul, apesar do conhecimento científico já acumulado no país. "Não sabíamos se haveria empresariado disposto a apostar nisso, mas quisemos tentar", afirmou.
Segundo ele, após mais de 400 reuniões realizadas em três meses para mapear oportunidades, a iniciativa superou a meta inicial de captar 50 milhões de euros e identificou potencial para investimentos superiores a 130 milhões de euros. "A mensagem é que é preciso ter esperança. Quando o trabalho é bem feito, o investimento aparece", destacou.
O painel contou ainda com a participação de Rebeca Alonso Nascimento, sócia das áreas Jurídica, de Compliance e Governança da Sustenable Ventures, que abordou estratégias de aceleração de projetos em Economia Azul associadas aos princípios da economia circular.
Após as palestras, seguindo a metodologia adotada nos demais painéis, o especialista em Prospectiva Estratégica do Observatório da Indústria Ceará, Gabriel Gaspar, conduziu os grupos de trabalho voltados à construção colaborativa de propostas para o fortalecimento do quinto eixo estratégico da Agenda Prioritária 2040. O objetivo foi identificar barreiras e formular iniciativas capazes de impulsionar cadeias de valor baseadas em biotecnologia, biomateriais e no uso sustentável dos recursos biológicos marinhos.
Ao destacar a dinâmica colaborativa da atividade, Gaspar ressaltou a importância da diversidade de perspectivas presentes nas discussões. "Fizemos questão de unir aqui na mesma mesa, e com o mesmo poder decisório, instituições distintas. Temos academia, terceiro setor, indústria e representantes internacionais", afirmou.
Para ele, o documento em elaboração representa uma oportunidade concreta de influenciar os rumos da Economia Azul no estado. "Estamos construindo a agenda até 2040, então o que sair daqui é muito importante e tem um impacto temporal muito significativo", concluiu.
Sessão de autógrafos encerra programação
Encerrando o segundo dia do Ocean Summit 2026, o economista e escritor belga Gunter Pauli, pioneiro do conceito de Economia Azul no mundo e destaque da abertura do evento, participou de uma sessão de autógrafos do livro "Economia Azul 5.0: Como a harmonia entre ciência e empreendedorismo serve ao bem comum*, de sua autoria. Exemplares da obra haviam sido sorteados entre os participantes durante o primeiro dia do evento.











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