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Ocean Summit 2026: Gunter Pauli apresenta cases de Economia Azul de alto impacto e propõe soluções para o Ceará

11/06/2026 - 18h06

A apresentação de cases mundiais de alto impacto em Economia Azul foram destaque do segundo dia de programação do Ocean Summit 2026, realizado na terça-feira (09/06), na Casa da Indústria. Promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), por meio do Observatório da Indústria Ceará, o evento reúne empresários, acadêmicos e representantes do poder público para debater o desenvolvimento de atividades econômicas relacionadas ao mar no Ceará e no Brasil. A ação tem parceria do Sebrae e apoio do Hub ODS Ceará, da Câmara Setorial de Economia Azul da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE) e do SINDFRIOS.

Em palestra sobre diretrizes para uma agenda prioritária na Economia Azul, o convidado especial do evento, o economista e escritor belga Gunter Pauli falou sobre alguns dos cerca de 200 projetos implantados ao redor do mundo a partir de sua atuação que conseguiram unir inovação, oportunidades de ampliação de mercados e novos modelos de negócios pautados na circularidade e no conceito de desperdício zero. O especialista também propôs caminhos para adequar tais modelos de negócio ao contexto industrial e econômico cearense.

Pauli defendeu que a Economia Azul é uma ferramenta para transformar realidades locais e gerar valor por meio da biodiversidade. Em um dos cases apresentados pelo economista, resíduos de minas na China foram utilizados para a fabricação do chamado "papel de pedra", um processo que não utiliza água nem celulose e que tem capacidade de gerar melhorias na qualidade do ar, mencionando o setor de mineração como potencial para adesão desta tecnologia.

Segundo ele, o projeto tem alta aplicabilidade no Ceará. “Já apresentamos esse projeto no Brasil várias vezes, mas os grandes grupos não adotaram porque existe um problema de enfoque da indústria. Todos pensam como mineiros, não como papeleiros”, afirmou. “Se o Ceará tem potencial mineral, então tem potencial de papel. Precisamos de um cluster de empreendedorismo para que, se o Ceará tiver uma nova licença de mina, que seja uma licença associada ao papel pedra. Porque, se você não precisa de água e não precisa de celulose, você libera terra e concentra em ter ar limpo. Essa é a mudança que temos que pensar”, sugeriu Pauli.

Outra proposta foi a articulação entre indústrias de alimentos para criar novos negócios e solucionar questões sociais como a desnutrição. “O Ceará tem uma indústria de frutas, e a nutrição da criança no Brasil é um problema. Precisamos pensar que a melhor nutrição que temos é de sementes de fruta. É uma nova indústria. Se Fortaleza tem a maior empresas de trigo e de biscoitos, precisamos de uma empresa que transforme a produção da fruta ou resíduos da fruta em nutrição para criança”, afirmou.

Esses exemplos reforçam a importância do diálogo sobre simbiose industrial

Pauli também ilustrou o impacto social da Economia Azul com o exemplo da ilha de El Hierro, nas Canárias. Por meio da transformação de uma economia de subsistência em um modelo de alto valor agregado, com a produção de iogurtes e sorvetes de leite de cabras com frutas locais, o local conseguiu enfrentar o desafio de atrair a população jovem para habitar a região.

“A população aumentou de 5.600 para 12.800 pessoas, mas, mais importante, cada pessoa que migrou e se instalou na ilha investiu 7 mil euros por ano para comprar cabras ou para fazer mais iogurtes. Se temos 7 mil pessoas a mais, multiplicadas por 7 mil euros por ano durante 10 anos, quanto dinheiro temos? O potencial que vocês têm é que, com uma estratégia similar à que fizemos na ilha, é possível mobilizar bilhões em dinheiro que dá retorno imediato na economia local”, acrescentou o especialista.

Intervenção cultural

O segundo e último dia do Ocean Summit ainda foi marcado por palestra e intervenção cultural realizada pelo neurocientista e pianista Samuel Quinto, que expôs seu trabalho na promoção da proteção dos oceanos por meio da música.

“Proteger os oceanos significa também proteger as culturas humanas, e a música pode contribuir para ambos os objetivos, quando passamos a considerar seriamente que ela é muito mais do que um ornamento, uma forma de entretenimento ou simplesmente uma indústria”, disse Quinto. “A transição ambiental não terá sucesso apenas por meio de regulamentações, tecnologias ou investimentos. Ela também requer novas narrativas, novas formas de engajamento, novas conexões emocionais, novos imaginários coletivos e novos modelos. A música possui uma capacidade única de criar essas conexões e esses modelos. Ela transforma conscientização em ação”, completou.

Após a fala, Samuel Quinto se apresentou em um piano e convidou os participantes a se conectarem por meio das canções.

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6 Água potável e saneamento 7 Energia acessível e limpa 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 14 Vida na água 15 Vida terrestre

Social

1 Erradicação da pobreza 2 Fome zero e agricultura sustentável 3 Saúde e bem-estar 4 Educação de qualidade 5 Igualdade de gênero 6 Água potável e saneamento 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 10 Redução das desigualdades 12 Consumo e produção responsáveis 16 Paz, justiça e instituições eficazes

Governança

5 Igualdade de gênero 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 16 Paz, justiça e instituições eficazes 17 Parcerias e meios de implementação
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