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Ocean Summit 2026 destaca inovação, oportunidades de novos modelos de negócios, indicadores e potencialidades da Economia Azul no Ceará

10/06/2026 - 16h06

A programação da tarde do primeiro dia do Ocean Summit 2026, na segunda-feira (08/06), na Casa da Indústria, reuniu formadores e tomadores de decisão representados por especialistas, setor produtivo, sociedade civil, instituições de pesquisa, acadêmicos e gestores públicos para debater caminhos e ações estratégicas para o fortalecimento da Economia Azul no Ceará. Promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), por meio do Observatório da Indústria Ceará, em parceria com o Sebrae e com apoio do Hub ODS Ceará, da Câmara Setorial de Economia Azul da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE) e do Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca do Estado do Ceará (SINDFRIOS), o evento segue até esta terça-feira (9) e busca impulsionar iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável das atividades ligadas ao mar.

As atividades foram abertas com a mesa-redonda “Inovação e Oportunidades de Negócios Sustentáveis na Economia Azul no Ceará”, que reuniu especialistas e lideranças com atuação em diferentes segmentos ligados a sustentabilidade dos oceanos. O debate teve a participação do economista português Miguel Marques, referência internacional em Economia Azul e membro do painel de peritos das Nações Unidas para a Década da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável; de Fernando Botelho, diretor-geral da Crusoe Foods e executivo com ampla experiência na indústria de pescado; de Alessandra Grangeiro, gerente de Negócios Industriais e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Complexo do Pecém; e de Ana Thereza Matos, fundadora da ATHĒNÁ Esportes Náuticos e idealizadora do Projeto Movimento A. A conversa abordou oportunidades de negócios, inovação, infraestrutura, inclusão social e estratégias para fortalecer a Economia Azul como vetor de desenvolvimento sustentável no Ceará.

Para Miguel Marques, o Ceará reúne condições estratégicas para se consolidar como referência na Economia Azul, desde que avance na agregação de valor aos recursos marinhos e na adoção de modelos produtivos sustentáveis. Durante sua apresentação, o especialista defendeu uma maior integração entre grandes empresas e pequenos negócios para impulsionar a inovação e destacou oportunidades em áreas como biotecnologia, indústria do pescado, energias renováveis offshore e tecnologias voltadas à exploração e ao monitoramento dos oceanos. “O oceano precisa de uma grande transformação no sentido da agregação de valor, da sustentabilidade e da inclusão social”, afirmou. Segundo ele, o fortalecimento da economia marítima depende da capacidade de transformar conhecimento científico e recursos naturais em produtos e soluções de maior valor agregado para o mercado global.

Já Fernando Botelho apresentou a experiência da Crusoe Foods na indústria de pescados e destacou a importância da inovação aliada à sustentabilidade para ampliar oportunidades de negócios na Economia Azul. O executivo também ressaltou a trajetória do grupo espanhol controlador da empresa, e seu compromisso com a preservação dos recursos marinhos e a agregação de valor à produção.

Em sua participação, Alessandra Grangeiro destacou o papel estratégico do Complexo do Pecém para o desenvolvimento da Economia Azul no Ceará. Segundo ela, o oceano deve ser compreendido não apenas como rota logística, mas também como fonte de energia, plataforma industrial e ativo climático, posicionando o complexo como um ambiente capaz de impulsionar crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social.

Encerrando a mesa-redonda, Ana Thereza mostrou como os esportes náuticos podem contribuir para a Economia Azul ao integrar educação, saúde, turismo, inclusão social e empreendedorismo. A empresária destacou a experiência da canoagem havaiana como ferramenta de desenvolvimento sustentável e formação cidadã, reforçando o potencial do mar como espaço de inovação, convivência e geração de oportunidades para diferentes públicos.

Projeto Economia Azul e Blue Ceará fortalecem inteligência estratégica

Outro destaque da programação foi a apresentação do projeto Economia Azul e da plataforma Blue Ceará, iniciativa voltada ao mapeamento de oportunidades, à geração de inteligência estratégica e ao fortalecimento dos negócios ligados ao potencial econômico do mar no estado. A exposição foi conduzida por Rômulo Alexandre Soares, advogado e especialista em Direito do Mar, atualmente presidente da Câmara Setorial de Economia Azul da ADECE, e por Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria Ceará e economista-chefe do Sistema FIEC.

Em sua fala, Muchale destacou que o Projeto Economia Azul busca fortalecer a competitividade dos negócios ligados ao mar por meio de inteligência estratégica, inovação, qualificação empresarial e articulação institucional. O projeto prevê ações como residências tecnológicas, monitoramento setorial e apoio às micro e pequenas empresas, com foco na geração de oportunidades sustentáveis para a economia marítima cearense. “Uma coisa que a gente também consegue exportar para o resto do Brasil é cooperação”, afirmou. Segundo Muchale, a construção da estratégia envolve a atuação conjunta de entidades empresariais, universidades e poder público, permitindo que o Ceará avance de forma coordenada no desenvolvimento da Economia Azul.

Na apresentação da plataforma Blue Ceará, Rômulo Alexandre Soares defendeu uma visão ampliada da Economia Azul, destacando que o mar deve ser compreendido como um ativo estratégico capaz de impulsionar diferentes cadeias produtivas, da logística e energia à tecnologia e inovação. Segundo ele, um dos principais desafios do setor é ampliar a visibilidade da importância econômica e ambiental dos oceanos para a sociedade. “O nosso grande desafio, antes de ser ecossistêmico, é ser visível”, afirmou. Soares também ressaltou o papel da plataforma Blue Ceará na articulação entre governo, academia, setor produtivo e sociedade civil para construir uma visão de longo prazo para o desenvolvimento sustentável da economia do mar no estado.

Estudos apontam tendências e prioridades para o futuro do setor

Na sequência, os participantes conheceram os resultados de um estudo de tendências e de uma análise patentométrica, que aborda os principais eixos estratégicos identificados para orientar o desenvolvimento da Economia Azul no Ceará. O levantamento busca subsidiar decisões de políticas públicas, investimentos e ações de inovação voltadas ao setor.

O painel foi conduzido por Gabriel Gaspar e Raquel Valença, especialistas do Observatório da Indústria Ceará. Durante a apresentação, foram compartilhadas análises sobre tendências globais, inovação e desenvolvimento tecnológico relacionados à Economia Azul, com destaque para estudos prospectivos e o mapeamento de patentes que podem orientar a definição de estratégias e oportunidades para o fortalecimento do setor no Ceará.

O novo estudo integra uma agenda mais ampla de desenvolvimento e visa transformar dados técnicos em informações inteligentes para impulsionar o setor no estado. Segundo Valença, os pontos compartilhados antecipam uma publicação completa que será lançada ainda este ano, prometendo oferecer ao público um olhar inédito e detalhado sobre as inovações e o potencial econômico do mar cearense.

A programação incluiu ainda uma retrospectiva sobre os trabalhos desenvolvidos em torno da Economia Azul no Ceará, abordando a construção da Visão 2040 e a priorização de direcionadores estratégicos para o desenvolvimento sustentável do setor nas próximas décadas.

A atividade foi conduzida por Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria Ceará e economista-chefe do Sistema FIEC, que realizou uma dinâmica colaborativa com os presentes a fim de definir as prioridades que irão orientar a construção da Agenda Estratégica da Economia Azul no estado.

O trabalho foi estruturado em cinco eixos centrais: governança e ordenamento do espaço marítimo; transição ecológica e resiliência climática; reconfiguração econômica das cadeias produtivas ligadas ao mar; digitalização e infraestrutura inteligente; e bioeconomia azul.

Com relação à visão de futuro, as alternativas discutidas abordaram diferentes perspectivas para o estado, incluindo o fortalecimento do Ceará como hub da Economia Azul no Atlântico Sul, território de inovação e transição sustentável e ecossistema integrado de cooperação entre governo, empresas e academia. Segundo Muchale, a definição dessa visão compartilhada é fundamental para alinhar esforços e direcionar investimentos estratégicos para o desenvolvimento da economia do mar.

Indicadores ganham destaque para orientar políticas e investimentos

Por fim, a mesa-redonda “Indicadores para a Economia do Mar e Azul no Ceará” teve como foco a construção de métricas e instrumentos capazes de monitorar o desempenho das atividades econômicas ligadas ao ambiente marinho, contribuindo para a formulação de estratégias baseadas em evidências. Participaram do debate Ohanna Fraga e Rayssa Costa, especialistas em Inteligência Competitiva do Observatório da Indústria Ceará; Eduardo Fontenele, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e líder do Núcleo de Pesquisa em Economia do Mar (NEMA); e João Felipe Nogueira Matias, engenheiro de pesca e ex-Cientista-Chefe da Economia Azul da FUNCAP.

O debate abordou a importância da construção de indicadores para mensurar o desempenho e os impactos da Economia Azul, fornecendo subsídios para políticas públicas, investimentos e estratégias de desenvolvimento sustentável voltadas às atividades marítimas e costeiras do Ceará.

Durante a mesa-redonda, Ohanna Fraga apresentou um panorama da Economia Azul no Ceará e destacou o potencial do estado para consolidar atividades econômicas ligadas ao mar de forma sustentável. Com 573 quilômetros de litoral e 23 municípios costeiros, o Ceará ocupa a quinta posição nacional em exportações relacionadas ao setor e se destaca em áreas como logística portuária, turismo, energias renováveis, pesca e aquicultura. A especialista ressaltou que o estado lidera a produção brasileira de camarão e registrou crescimento expressivo na produção de pescado e na movimentação portuária na última década. “O Ceará é um dos principais motores do desenvolvimento regional e tem uma economia muito formada pela parte da economia do mar”, afirmou, ao defender a importância do monitoramento de indicadores para orientar políticas públicas e fortalecer o desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas marítimas.

Em complemento a esse contexto, Rayssa Costa chamou a atenção para o segmento de energias renováveis offshore. A especialista ressaltou que o estado concentra 16 projetos de energia eólica offshore em fase de licenciamento, o equivalente a cerca de 27% da potência prevista para o setor no país. Ela também destacou os desafios relacionados à qualificação profissional, à informalidade em atividades como a pesca artesanal e à necessidade de aprimorar a produção de indicadores econômicos e sociais. Segundo Rayssa, o monitoramento dessas informações é fundamental para orientar políticas públicas e garantir que o crescimento da Economia Azul ocorra de forma sustentável e competitiva.

O encerramento da programação se deu com o lançamento da Residência de Inovação e do Ciclo Azul de Formação, além da rodada de oportunidades voltada à conexão entre empresas, instituições e iniciativas ligadas ao segmento.

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5 Igualdade de gênero 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 16 Paz, justiça e instituições eficazes 17 Parcerias e meios de implementação
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