IEL Ceará e UECE apresentam avanços no desenvolvimento de soluções em IA ao Instituto Atlântico
Nesta segunda-feira (27/04), representantes do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Ceará), do Instituto Atlântico e da Universidade Estadual do Ceará (UECE) participaram de um encontro de apresentação do panorama atual das ações realizadas no âmbito da meta 05 Schum+Peter do projeto Nexus IA. O objetivo era compartilhar com o Instituto Atlântico os resultados parciais e os avanços no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial voltadas ao fortalecimento da inovação, além de promover um espaço de validação técnica.
A apresentação foi conduzida pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Samuel Façanha, com o apoio dos mestrandos Nathalia Bayer e Moésio Bastos, que também é analista de inovação do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) do IEL Ceará, além da participação do time de bolsistas envolvidos na iniciativa. O grupo demonstrou, na prática, o funcionamento do que foi desenvolvido até o momento, destacando suas funcionalidades e potenciais aplicações, além de detalhar os fundamentos metodológicos que orientam a construção da solução, ancorados em dados científicos e em abordagens estruturadas de gestão da inovação.
De acordo com Moésio Bastos, o encontro também teve papel estratégico na qualificação do projeto. “A iniciativa se configurou como um espaço importante de validação preliminar, permitindo a coleta de percepções e feedbacks técnicos por parte do sponsor. As contribuições levantadas apontaram oportunidades de aprimoramento e reforçaram a aderência das soluções às demandas do setor produtivo, especialmente no uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à tomada de decisão em contextos de inovação”, afirmou.
Do Instituto Atlântico, participaram o diretor de Inovação e Novos Negócios, Luiz Alves, e a gerente executiva de Operações de TI, Ana Sofia Marçal. Para Luiz Alves, o projeto demonstra consistência mesmo em estágio inicial. “Quando trabalhamos na fronteira do conhecimento, precisamos investir bastante tempo em revisões sistemáticas de literatura, levantamento de dados e preparação dessas bases para, a partir daí, iniciar o processo de treinamento dos nossos modelos de IA. O projeto ainda está em fase inicial e os resultados apresentados até aqui dão sinais de que estamos no caminho certo”, destacou.
O diretor também ressaltou o potencial de impacto da solução no ecossistema de inovação. “Vejo que os agentes que estamos desenvolvendo têm muita aplicabilidade na avaliação de editais de fomento, projetos e políticas públicas. Temos uma grande oportunidade de gerar valor ao ecossistema, ajudando a produzir melhores políticas, melhores editais e melhores projetos. Essa entrega vai reduzir a distância entre a intenção de quem financia e o desejo de quem busca financiamento, gerando impacto direto na efetividade das políticas públicas de inovação”, afirmou.
Aprimoramento do processo de avaliação de projetos de inovação
Parte do escopo do projeto Nexus IA prevê o desenvolvimento de duas soluções de IA, uma focada no setor público e outra no setor produtivo. A primeira tem como público-alvo os órgãos de financiamento público à inovação e visa ao aprimoramento do processo de avaliação das propostas submetidas a editais/chamadas públicas. A ideia é qualificar e digitalizar esse processo via um mecanismo de IA que amplie o olhar dos avaliadores durante suas análises.
De acordo com o professor Samuel, o objetivo não é substituir os avaliadores humanos, mas fortalecer essas análises, oferecendo subsídios adicionais que tornem as decisões mais consistentes, transparentes e alinhadas ao impacto esperado das políticas públicas.
“O Nexus IA é um projeto muito arrojado e representa um primeiro passo na construção de aplicações de IA voltadas às políticas públicas de inovação. Na meta 5, vamos desenvolver um agente de IA capaz de trabalhar a partir de critérios de avaliação consolidados, utilizando bases de dados abertos, qualitativos e quantitativos, provenientes de editais já realizados por várias instituições e relacionados a diferentes tipos de políticas públicas”, explica.
“Ao longo de um ano, vamos testar, aprender e buscar a validação desta proposta junto a instituições que possam abrir espaço para a experimentação dessa IA. A ideia é desenvolver um instrumento acessível e amigável, que integre indicadores de avaliação e análises textuais das propostas, ampliando a capacidade de leitura, comparação e interpretação das informações utilizadas nos processos decisórios de avaliadores e gestores de políticas públicas de inovação”, complementa o professor.
A outra ferramenta que está em desenvolvimento tem como foco o setor produtivo e busca apoiar empresas proponentes na elaboração e submissão de projetos mais competitivos e alinhados às políticas de fomento à inovação. De acordo com Moésio Bastos, as duas IAs, inicialmente não se conversam, mas ao final do processo serão complementares e passarão a interagir, treinando-se mutuamente, gerando feedbacks e fortalecendo tanto a demanda (setor produtivo) quanto a oferta (setor público) em inovação.
Sobre o Nexus IA
Idealizado pelo Instituto Atlântico, o projeto Nexus foi aprovado em 2024 na chamada pública PRÓ-INFRA Centros Temáticos - Implantação e melhoria da infraestrutura de pesquisa para solucionar desafios em áreas temáticas críticas. A seleção foi promovida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de fortalecer os Centros de Infraestrutura de Pesquisa Científica e Tecnológica do país por meio do apoio a projetos de pesquisa que utilizem e ampliem essa infraestrutura em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
O Nexus IA é focado na área de transformação digital e prevê a expansão do Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto Atlântico (ALIA), incluindo a compra de equipamentos avançados, a formação de pesquisadores em IA e a concepção de novas tecnologias com base em IA, com o objetivo de tornar essa tecnologia mais acessível, estimular a inovação e promover a inclusão digital em diversos setores, desde o setor produtivo até o setor público. São parceiros da iniciativa o ICT do IEL Ceará e a UECE, além de outras universidades em outros focos do projeto.

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