SESI Ceará e SAP certificam internas da Unidade Prisional Feminina de Aquiraz no Ensino Médio
*Com informações da SAP
A educação como caminho para novos começos foi celebrada em uma programação marcada por emoção e conquistas na Unidade Prisional Feminina Auri Moura Costa, em Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza. A ação, realizada pelo SESI Ceará, em parceria com a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), certificou 16 internas na conclusão do Ensino Médio, etapa fundamental para a reconstrução de trajetórias e ampliação de oportunidades.
A cerimônia integrou as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e destacou o papel da educação como ferramenta essencial no processo de ressocialização.
“É uma satisfação para o SESI Ceará estar aqui, a serviço da sociedade, através da parceria com o Governo do Estado do Ceará, por meio da SAP. Agradeço a todos os policiais penais que permitem que, todos os dias, os professores do SESI entrem em sala de aula e façam o seu trabalho de forma afetuosa e com muita responsabilidade. Quero parabenizar, também, todas as estudantes por essa conquista. Para nós, como professores, é um orgulho gigantesco”, disse o Diretor da Escola SESI SENAI Parangaba, Paulo Botafogo.
Emocionada, uma das internas comentou a conquista e disse estar feliz por servir de inspiração para outras mulheres privadas de liberdade. “Estou muito orgulhosa de mim mesma e estou dando orgulho para minha família que está tendo o prazer de me ver formada no Ensino Médio. Do mesmo jeito que eu consegui chegar até hoje, muitas que estão aqui dentro podem me ver como um espelho. Esse é o meu primeiro passo e, daqui em diante, só quero progredir mais e deixar o que passou para trás. Errei mas vou caminhar, agora, de cabeça erguida e continuar a minha vida, pois não é tarde para recomeçar quando a gente quer”, declarou.
Para o Secretário Executivo de Planejamento e Gestão Interna da SAP, Álvaro Maciel, que representou o titular da pasta, Mauro Albuquerque, a educação é um relevante instrumento de reintegração social. “É um momento muito feliz para nós que cumprimos a Lei de Execução Penal, concretizando a ressocialização através do acesso ao conhecimento formal. Um país, um povo, uma nação, só evoluem e melhoram através da educação. Parabenizo a todas as formandas e, também, à gestão da unidade, que, pela atuação da diretora Socorro que realiza, com muita dedicação, todas as missões da UPF”, disse.
O Secretário se refere à Policial Penal e Diretora da Unidade, Socorro Matias, que destacou a importância das internas aproveitarem as oportunidades oferecidas, enquanto cumprem pena no sistema prisional do Ceará. “A SAP vem oportunizando esperança, oportunidades e o poder de escolha para essas mulheres sobre o que desejam ser quando saírem daqui, pois elas estão aprendendo, tendo educação, qualificação e trabalho. Hoje, conseguimos fazer o nosso mister, que é dar a essas pessoas oportunidades e efetivar aquilo que a Lei de Execução Penal diz, em seu primeiro artigo, que é promover às pessoas privadas de liberdade o cumprimento fiel da sentença, mas com dignidade e também a reintegração social”.
A arte como expressão da liberdade
Durante a programação que antecipou a certificação das internas, foram apresentados alguns números artísticos. Regidas pelo maestro Gladson Carvalho, o grupo musical “Acordes para a Vida” apresentou canções que emocionaram a todos os presentes.
Já o grupo teatral “Artes transformando vidas”, também composto por internas, apresentou a esquete “Congresso de Mulheres”, relembrando a importância de grandes nomes da história do Brasil e do mundo, como Rachel de Queiroz, Madre Teresa de Calcutá, Malala Yousafzai, Marielle Franco e a própria desembargadora Auri Moura Costa, entre outras.
Também houve apresentação de poesia e dança, tudo ensaiado pelas mulheres que estão na UPF.
Presente na certificação, a juíza Bruna dos Santos Costa Rodrigues, da 1ª Vara Criminal de Pacatuba e integrante do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e de Execução de Medidas Socioeducativas (GMF) do Tribunal de Justiça do Ceará, falou às internas e as motivou a perseguir a ressocialização. “Nós estamos aqui para celebrar aquelas que desejam mudar, que desejaram romper com paradigmas, com estigmas que lhes foram lançados. Agradeço a todas essas mulheres que honraram aquilo em que nós acreditamos, porque, quando estamos aqui para celebrar, para falar sobre mulheres que estudam e trabalham, que se dedicam, existe um momento histórico para mostrar àqueles que estão lá fora: ‘Olha só, a gente não trabalha em vão, estamos fazendo o que acreditamos e isso é válido’”, ressaltou.
A cerimônia teve um formato inédito para a unidade: contou com as formandas trajadas com suas becas especiais, além da permissão de entrada de familiares das internas para acompanharem, de perto, a conquista educacional.
Também esteve presente o Coordenador de Educação da SAP, Rodrigo Moraes; a Coordenadora da Escola SESI SENAI Parangaba, Ana Caroline; além da Diretora Adjunta da UPF, Sandra Pontes.








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