Ferro e Aço impulsionam as exportações cearenses
O estudo Ceará em Comex, produzido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), aponta um desempenho expressivo do comércio exterior cearense no início de 2026.
Entre janeiro e fevereiro, as exportações do estado somaram US$ 459,2 milhões, registrando crescimento de 102,6% em relação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as importações totalizaram US$ 391 milhões, com retração de 19,7%. Com esse resultado, a balança comercial do Ceará encerrou o primeiro bimestre do ano com superávit de US$ 68,2 milhões, revertendo déficits registrados em períodos anteriores.
Grande parte desse desempenho foi impulsionada pelo setor de ferro e aço, cujas exportações saltaram de US$ 49,4 milhões para US$ 291,3 milhões, crescimento superior a 490%, com forte demanda do mercado norte-americano.
Além da siderurgia, produtos tradicionais da economia cearense também mantiveram presença relevante no comércio internacional. Entre eles, a cera de carnaúba se destacou mais uma vez como um dos produtos estratégicos da pauta exportadora do estado. Reconhecida mundialmente por suas aplicações em diversos setores industriais, como cosméticos, alimentos, farmacêutico e automotivo, a cera de carnaúba continua ampliando sua presença no mercado externo e reforçando a importância da biodiversidade nordestina para a economia global.
No contexto regional, o avanço das exportações cearenses também foi expressivo no primeiro bimestre de 2026. O estado passou a ocupar a segunda posição entre os maiores exportadores do Nordeste, atrás apenas da Bahia. Com isso, a participação do Ceará nas exportações nordestinas saltou de 6,25% em 2025 para 15,54% em 2026.
Apesar do resultado expressivo, o estudo aponta que o superávit comercial registrado no primeiro bimestre deve ser analisado com cautela. O desempenho foi fortemente influenciado pelo avanço das exportações do setor de ferro e aço, o que caracteriza um movimento concentrado em uma cadeia produtiva específica.
Em outras palavras, o crescimento observado em 2026 pode refletir um movimento conjuntural associado à concentração de embarques siderúrgicos no período. Por isso, ainda não é possível afirmar que se trata de uma mudança estrutural permanente no padrão da balança comercial cearense.
No caso das importações, o primeiro bimestre de 2026 apresentou comportamento mais moderado. As compras externas somaram US$ 391 milhões, valor inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A retração esteve associada principalmente à redução nas aquisições de combustíveis minerais, máquinas e equipamentos e alguns insumos industriais, indicando uma acomodação parcial da demanda por importações no início do ano.
Mesmo com essa redução, a pauta importadora permaneceu concentrada em produtos essenciais para o funcionamento das cadeias produtivas do estado. Entre os principais itens importados destacaram-se combustíveis minerais, ferro e aço, máquinas elétricas, máquinas mecânicas, produtos químicos orgânicos e cereais.
Em relação à origem das importações, a China permaneceu como principal fornecedora do Ceará, respondendo por cerca de 42% das compras externas no período. Em seguida aparecem Estados Unidos, Colômbia, Rússia e Argentina, evidenciando uma concentração geográfica das importações em poucos parceiros comerciais estratégicos.
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