Feira da Indústria FIEC: segundo dia de programação de moda reúne desfiles de marcas autorais cearenses
O segundo dia de desfiles da programação de moda da Feira da Indústria FIEC levou à passarela a força criativa e a diversidade da moda produzida no Ceará. As apresentações foi dividida em dois blocos, reunindo marcas que representam diferentes estilos e propostas, do casual ao autoral.
No primeiro bloco, desfilaram Açude, Clipper, Corpo Malhado e Vitor Cunha, com coleções que destacaram inovação, identidade e conexão com o estilo de vida contemporâneo. Já o segundo bloco contou com o estilista Ivanildo Nunes, além das marcas Handara, Capim Santo e Kallil Nepomuceno, reforçando a pluralidade de propostas e a versatilidade do setor local.
Inspirada pelas raízes e riquezas naturais do Cariri, a marca Açude apresentou uma coleção que traduz a força estética e cultural da Chapada do Araripe em peças que valorizam o trabalho artesanal e a identidade regional. Elementos como fósseis, espécies típicas da fauna local e matérias-primas produzidas por artesãos ganharam releituras contemporâneas em tecidos, bordados manuais, aplicações em madeira e peças em couro.
A diretora criativa da marca, Ana Beatriz Ribeiro, destaca o caráter afetivo da coleção: “É a primeira vez que a gente faz um desfile solo. Essa coleção é inspirada na Chapada do Araripe e tem uma ligação muito forte com o Cariri, de onde eu venho. A gente quis traduzir nas roupas essa riqueza natural, com referências aos fósseis, ao trabalho artesanal e até ao Soldadinho do Araripe.”
Tecnologia têxtil
Estreando nas passarelas após 23 anos de história, a marca Corpo Malhado apostou em tecnologia têxtil, conforto e na energia da mulher moderna como inspirações centrais.
“Já são 23 anos da marca e é a primeira vez que nós participamos de um desfile de moda. Para esta estreia, a gente trouxe muita tecnologia e muito conforto nas peças. Além de muita cor, trouxe o frescor da moda, da cor malhada”, destaca Diana Verçosa, diretora da marca.
A coleção assinada por Ivanildo Nunes foi criada para dialogar diretamente com as seis ilhas temáticas da feira, cada uma representando um segmento industrial. As produções levaram à passarela interpretações visuais de áreas como vestuário, metalurgia, panificação e indústria têxtil, transformando matérias-primas — como algodão, fibras naturais e até macarrão — e processos fabris em expressão criativa. Os looks foram desenvolvidos ao longo de dois meses, sob encomenda de sindicatos patronais ligados à FIEC.
As marcas Handara e Capim Santo também participaram do último bloco de desfiles, apresentando coleções que reforçam a força da indústria da moda cearense, com propostas que dialogam com tendências de mercado, identidade regional e versatilidade produtiva.


Encerrando a programação, o estilista Kallil Nepomuceno levou à passarela um desfile que combinou moda autoral, sofisticação e responsabilidade ambiental. Representando o projeto ESG da FIEC, o estilista transformou resíduos industriais e materiais sustentáveis em peças de estética refinada, propondo uma nova leitura do luxo na moda.
“Consegui unir sustentabilidade e luxo caminhando em paralelo. Usei resíduos da indústria transformados em peças sofisticadas, com tecidos nobres e materiais reaproveitados, criando uma conexão fantástica entre luxo e sustentabilidade.”


Fotos: Nicolas Gondim/ Roberta Braga/ Thais Parahyba
(85) 4009.6300