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Lideranças femininas destacam diversidade, inovação e impacto social em painel da Feira da Indústria FIEC

11/03/2026 - 20h03

A programação do segundo dia da Feira da Indústria FIEC contou com o painel “Encontro de lideranças femininas”, realizado no espaço FIEC Connect, nesta terça-feira (10/03), reunindo empresárias e dirigentes que vêm se destacando na condução de negócios e instituições industriais. O encontro abordou a importância da diversidade nas lideranças corporativas e como o protagonismo feminino fortalece as organizações, promovendo a inclusão de novas gerações e a ampliação de oportunidades de mercado.

Participaram da conversa Carla Pontes, CEO do Grupo Marquise; Camila Fragoso, diretora da Água Mineral Límpida; Milene Pereira, presidente do SindCafé; e Aline Telles, presidente do Grupo Telles. A mediação foi conduzida pela jornalista Giuliana Morrone, profissional com ampla trajetória no jornalismo brasileiro e reconhecida por sua atuação na cobertura de política e economia. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, acompanhou o painel.

Morrone deu início ao bate-papo ressaltando o papel das lideranças empresariais na transformação econômica do estado. “Ano após ano, eu vejo o Ceará cada vez mais fortalecido, mais desenvolvido. Tenho acompanhado essa transformação de perto, e ela passa por lideranças como essas mulheres que estão aqui, que têm tido um papel determinante nesse processo de evolução do Estado”, afirmou.

Durante o encontro, as participantes compartilharam experiências de suas trajetórias profissionais e refletiram sobre os desafios e avanços relacionados à presença feminina em posições estratégicas. A CEO do Grupo Marquise, Carla Pontes, destacou que o crescimento da participação das mulheres em espaços de liderança acompanha mudanças mais amplas na sociedade, embora ainda haja um longo caminho a percorrer.

“Isso é uma construção da sociedade como um todo, seja no Ceará ou no Brasil. Acho que a sociedade vem evoluindo. Estamos longe de ter a paridade total, mas percebo que estamos avançando. Na minha época de faculdade, no curso de Administração da FGV em São Paulo, éramos cerca de 20% de mulheres. Fui olhar recentemente e hoje esse número chega a algo entre 35% e 40%. É uma evolução importante”, observou.

Segundo a executiva, as empresas tendem a refletir as transformações sociais e, por isso, a diversidade precisa ser compreendida como um elemento estratégico para o ambiente corporativo. “As empresas são um retrato da sociedade. Elas dialogam com a sociedade e entregam produtos para ela. Por isso, a diversidade é extremamente relevante. Ainda temos um longo caminho, e também é nosso papel, enquanto mulheres, apoiar e acompanhar essa evolução”, acrescentou.

A presidente do Grupo Telles, Aline Telles, trouxe uma perspectiva histórica ao lembrar sua trajetória em entidades empresariais, destacando que a participação feminina nesses espaços vem se ampliando ao longo das últimas décadas.

“Eu volto ao meu início nas entidades de classe, na década de 1990, quando fui diretora da FIEC em uma diretoria composta por cerca de 40 homens e apenas três mulheres. Naquele momento, todas as portas foram abertas para mim sem nenhum tipo de discriminação”, relembrou.

Para a empresária, apesar dos avanços institucionais, muitas vezes ainda existe uma barreira interna que dificulta o avanço das próprias mulheres. “Me preocupa quando a trava para avançar está dentro de nós mesmas. Hoje temos muito mais abertura. Recentemente participei de programas de formação executiva em que ainda havia poucas mulheres, mas fiquei muito orgulhosa de ver grandes representantes de empresas assumindo esse protagonismo e se colocando como agentes nesses espaços importantes”, afirmou.

Aline também destacou que o debate sobre liderança feminina precisa estar conectado a temas sociais mais amplos, como a segurança e o respeito às mulheres. “Existem dois pontos fundamentais: o papel que muitas vezes a mulher abdica de exercer e a necessidade de toda a sociedade — homens e mulheres — atuarem juntos no enfrentamento da violência contra as mulheres”, ressaltou.

A diretora da Água Mineral Límpida, Camila Fragoso, compartilhou experiências pessoais sobre os desafios enfrentados no início de sua trajetória empresarial. Segundo ela, o fato de ser jovem e mulher muitas vezes gerava dúvidas sobre sua posição de liderança.

“Eu comecei muito nova e montei minha empresa ainda jovem. Muitas vezes, quando eu ia resolver algum problema ou negociar alguma situação, havia um homem do outro lado da mesa que perguntava se eu poderia chamar o dono da empresa. E eu respondia: ‘sou eu’. Para muita gente era difícil acreditar que uma mulher jovem estivesse à frente do próprio negócio”, relatou.

Para a empresária, a presença feminina crescente em posições de comando representa uma mudança estrutural no ambiente empresarial. “Eu acredito muito que nós furamos uma bolha que antes era uma hegemonia masculina. Hoje vemos cada vez mais mulheres assumindo esses espaços, e isso é muito positivo”, afirmou.

Camila também destacou a importância do ambiente institucional de apoio ao empreendedorismo feminino. “Nós temos um acolhimento muito grande da FIEC e uma valorização importante por parte do presidente Ricardo Cavalcante, que sempre tem nos apoiado. Na nossa empresa, hoje temos cerca de 50% das lideranças ocupadas por mulheres, com muito talento, dinamismo e valores fortes de gestão”, disse.

Já Milene Pereira, presidente do SindCafé, ressaltou que a evolução da participação feminina nas empresas também depende de ambientes corporativos mais inclusivos e atentos às questões sociais que afetam as mulheres.

“Eu tive a alegria de trabalhar durante muitos anos em ambientes muito propícios à evolução do papel da mulher. Na 3corações, onde estou há mais de duas décadas, isso sempre foi tratado de forma natural, com muitas lideranças femininas. Se olharmos para a nossa holding integradora no Ceará, acredito que cerca de 40% das lideranças são ocupadas por mulheres”, explicou.

Milene também chamou atenção para a importância de manter o debate ativo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade e no mercado de trabalho. “Hoje a questão da mulher é muito forte, principalmente diante dos casos de violência que infelizmente ainda acontecem e que não podemos admitir. Precisamos estar sempre atentos e atuar para combater essas situações, pensando também nas próximas gerações”, afirmou.

Outro ponto ressaltado pelas participantes foi o papel das lideranças empresariais na implementação de práticas alinhadas à agenda de negócios sustentáveis (ESG). Durante o painel, foi destacado que resultados financeiros e impacto positivo não devem ser vistos como objetivos opostos, mas como elementos complementares para o sucesso e a longevidade das organizações.

A Feira da Indústria FIEC acontece nos dias 9 e 10 de março, no Centro de Eventos do Ceará, reunindo os 39 segmentos industriais ligados à Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Considerado um dos maiores encontros do setor industrial do Nordeste, o evento apresenta inovações, tecnologias e soluções desenvolvidas pelas cadeias produtivas cearenses, reforçando o papel estratégico da indústria no desenvolvimento econômico e social do estado.

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ESG: Environmental, Social and Corporate Governance (Ambiental, Social e Governança Corporativa)

Ambiental

6 Água potável e saneamento 7 Energia acessível e limpa 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 14 Vida na água 15 Vida terrestre

Social

1 Erradicação da pobreza 2 Fome zero e agricultura sustentável 3 Saúde e bem-estar 4 Educação de qualidade 5 Igualdade de gênero 6 Água potável e saneamento 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 10 Redução das desigualdades 12 Consumo e produção responsáveis 16 Paz, justiça e instituições eficazes

Governança

5 Igualdade de gênero 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 16 Paz, justiça e instituições eficazes 17 Parcerias e meios de implementação
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