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Observatório da Indústria Ceará destaca inteligência de dados durante o 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda Brasil

25/02/2026 - 19h02

A programação de abertura do 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda Brasil trouxe, na tarde desta terça-feira (24/02), um debate central para o futuro do setor: como utilizar inteligência de dados para orientar decisões e elevar a competitividade. Na Casa da Indústria, o Observatório da Indústria Ceará apresentou sua experiência em análise estratégica e inteligência artificial aplicadas à indústria.

A apresentação foi conduzida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, e pela gerente de Inteligência Competitiva do Observatório, Laís Veloso, diante de lideranças do setor e representantes de instituições parceiras.

Ao abordar o papel estratégico do Observatório dentro do Sistema Indústria, Ricardo Cavalcante sintetizou sua missão de forma direta: “Nosso negócio é pegar dado e transformar em informação”. Segundo o Presidente, a estrutura consolidou uma das maiores capacidades de processamento de dados do país, alcançando volume de análise na casa dos trilhões de registros. “Rodamos 8 trilhões de dados”, afirmou, ao enfatizar a capacidade instalada para processamento em larga escala. Para ele, inteligência de dados só faz sentido quando gera impacto concreto. “Nosso negócio não é ganhar dinheiro com isso. É gerar emprego", afirmou.

Cavalcante também apresentou casos em que o uso de modelos analíticos avançados permitiu a empresas reduzir drasticamente o tempo de consolidação de informações estratégicas, ampliar a presença em mercados internacionais e antecipar movimentos tecnológicos por meio do monitoramento global de patentes. Citou ainda a transformação digital da própria Federação como prova de conceito: revisão de processos, integração de sistemas e automação que reduziram atividades antes executadas em dias para minutos. “A FIEC é a única quase 100% digitalizada no país”, declarou.

O Presidente detalhou também a plataforma, desenvolvida pelo Observatório, que integra informações econômicas e sociais dos 5.570 municípios brasileiros, reunindo dados de renda, emprego, estrutura produtiva e demografia. Para ele, decisões empresariais e políticas públicas precisam ser orientadas por evidências. “Feeling continua existindo, mas, com informação, você muda a vida de muita gente”, afirmou. Segundo Cavalcante, a inteligência de dados aplicada à indústria é hoje ferramenta decisiva para ampliar a competitividade, reduzir riscos e acelerar o desenvolvimento do setor produtivo cearense.

Estrutura técnica e planejamento orientado por evidências

A partir dessa diretriz institucional, Laís Veloso detalhou a base técnica que sustenta a estratégia. O Observatório atua como hub de inteligência do Sistema FIEC, estruturando e analisando centenas de bases de dados para apoiar o planejamento setorial e regional.

“Nosso papel é transformar dados do Ceará, do Brasil e do mundo em informação qualificada para a tomada de decisão, principalmente da indústria e dos sindicatos”, explicou.

Ela destacou que a metodologia envolve planejamento de médio e longo prazo, construção de roadmaps estratégicos e articulação entre empresas, governo e academia. O planejamento, segundo Laís, não se restringe ao setor industrial. “Quando estruturamos um trabalho como esse, olhamos para o Ceará como um todo, articulando atores e definindo ações com base em evidências".

Para demonstrar a aplicação prática, foram apresentados casos como o sistema de rastreabilidade da pesca do atum, conectando produção e indústria em tempo real; o mapeamento georreferenciado de ativos minerais; estudos de impacto econômico associados à Ferrovia Transnordestina; e análises de patentes voltadas à inovação industrial.

A apresentação também evidenciou soluções baseadas em inteligência artificial, incluindo modelos de previsão de faturamento, otimização de estoques, classificação de clientes por potencial de consumo, projeção de demanda regional e estimativas de acidentes de trabalho e seus impactos financeiros. “Com base nos dados da própria empresa e em bases estruturadas, conseguimos projetar cenários e apoiar decisões mais assertivas”, destacou.

Ao relacionar essas ferramentas ao contexto da Rota da Moda, ficou claro que a inteligência de dados pode apoiar desde o planejamento produtivo até a definição de mercados e estratégias de expansão, reduzindo riscos e ampliando a competitividade.

Programa Moda Avante

Na sequência da programação, o presidente do Sindroupas, Paulo Rabelo, apresentou o programa Moda Avante, iniciativa da FIEC em parceria com a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), o Sebrae e o IEL Ceará, voltada à capacitação da indústria da moda por meio de inovação, tecnologia e sustentabilidade,  ampliando ainda o potencial do setor no Estado.

Segundo ele, o programa surgiu para inserir as confecções em uma nova dinâmica produtiva, marcada por inteligência artificial, biotecnologia e automação. “A gente parou de bater papo só de moda e está batendo papo de tecnologia dentro de solução”, afirmou.

Estruturado em eixos como gestão estratégica, fortalecimento de marca, produção sustentável e propriedade intelectual, o Moda Avante também orienta empresários na captação de recursos e no acesso a editais de fomento. O programa já realizou 27 ações, impactando diretamente 55 empresas e, indiretamente, outras 115.

A expansão para o interior resultou na consolidação do Cinturão do Jeans, articulação que fortalece municípios com vocação produtiva específica dentro da cadeia da moda. “É muito melhor pegar esses mapeamentos e melhorar cada vez mais do que criar um polo de várias coisas num canto só”, defendeu.

Com apoio institucional e governança compartilhada, a iniciativa busca ampliar a competitividade da indústria da moda cearense, combinando inovação, tecnologia e sustentabilidade como vetores de crescimento.

O 1º Intercâmbio Técnico e Cultural da Rota da Moda é uma iniciativa promovida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Governo do Estado do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza, com o objetivo de integrar os setores produtivos dos estados que integram a chamada Rota da Moda, como Ceará, Amapá, Alagoas, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

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5 Igualdade de gênero 8 Trabalho decente e crescimento econômico 9 Indústria, inovação e infraestrutura 11 Cidades e comunidades sustentáveis 12 Consumo e produção responsáveis 13 Ação contra a mudança global do clima 16 Paz, justiça e instituições eficazes 17 Parcerias e meios de implementação
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