Sindpan conclui curso sobre Reforma Tributária para empresários da panificação e confeitaria
O Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Ceará (Sindpan) concluiu, na noite desta terça-feira (03/02), o curso sobre Reforma Tributária voltado para seus associados. A capacitação reuniu cerca de 40 empresários do setor e foi realizada nas dependências da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), reforçando a estratégia do sindicato de investir na qualificação e no fortalecimento da gestão empresarial em um cenário de profundas mudanças fiscais.
Para o presidente do Sindpan, Alex Martins, a iniciativa representa o começo de um processo contínuo de orientação aos associados. “Este foi um primeiro curso de muitos que ainda virão. A Reforma Tributária ainda é um tema que gera muitas dúvidas, porque sabemos o que foi aprovado, mas existem muitos pontos que ainda precisam ser definidos. A ideia do Sindpan é passar todo o ano informando o empresário da panificação, preparando o setor para o que vem pela frente”, explicou.
Ao longo de quatro dias de atividades, o curso teve caráter prático e foi direcionado à realidade das padarias e confeitarias, com discussões sobre regimes tributários, formação de preços e impactos diretos no fluxo de caixa das empresas. A proposta foi oferecer aos empresários uma base inicial de compreensão sobre a Reforma Tributária, que ainda segue em fase de regulamentação.
Alex Martins explicou que “o curso foi voltado para a padaria, para entender como vai ficar o Simples, o lucro presumido e o lucro real. É um princípio de informação para o associado, para que ele não seja pego de surpresa”.
Entre os temas mais debatidos pelos participantes, o presidente do Sindpan apontou como principal desafio a nova lógica de recolhimento dos tributos no momento da venda.
Abordagem prática da Reforma Tributária
A aula final do curso contou com a participação de Kliny Murelli, professora da Pós-Graduação em Direito Tributário da Universidade de Fortaleza (Unifor), que conduziu uma palestra voltada às mudanças práticas trazidas pela Reforma Tributária. “Foram 12 horas de um curso totalmente pensado para a realidade de restaurantes, lanchonetes e padarias, que serão bastante impactados. As mudanças já começam em 2026 e, a partir de janeiro de 2027, a transformação será mais profunda. É um momento de transição em que já se precisa arrumar a casa”, detalhou.
Para a professora, o envolvimento direto dos empresários é essencial nesse processo. Na sua avaliação, “é fundamental que todos participem e não deixem tudo apenas nas mãos dos contadores. Eles precisam entender precificação, custos e saber o que cobrar dos profissionais que os assessoram. Esse trabalho de estímulo à capacitação é decisivo para atravessar esse período de mudanças”.
Cronograma de transição
A condução geral do curso ficou a cargo do presidente do Conselho de Economia, Finanças e Tributação da FIEC, Emílio Moraes, que ao longo das aulas apresentou um panorama da Reforma Tributária, destacando os avanços já consolidados e os próximos passos previstos na legislação.
Durante a capacitação, o facilitador lembrou que, no último dia 14 de janeiro, foi publicada a Lei Complementar 227, que institui o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) e define as regras de administração do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), dois pilares centrais do novo modelo tributário. Segundo Emílio Moraes, compreender essas estruturas desde já é fundamental para que as empresas acompanhem o processo de transição de forma mais organizada.
Ao detalhar o cronograma, ele explicou que, em 2027, entra em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e, em 2029, tem início a cobrança do IBS. De acordo com o facilitador, o período foi desenhado para permitir ajustes graduais, tanto por parte do setor produtivo quanto da administração pública, reduzindo riscos e ampliando a capacidade de adaptação das empresas.





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