No Clima da Caatinga inicia nova fase com novo lema: Tatu-bola preservado

08/02/2018 - 12h02

Pela terceira vez na história da Associação Caatinga a parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental é retomada para a nova etapa do projeto No Clima da Caatinga III (NCC), iniciativa que busca a mitigação de efeitos potencializadores do aquecimento global através da conservação do semiárido e a consequente fixação e emissão evitada de CO² na atmosfera.

O projeto foca na proteção e valorização da Caatinga, única floresta exclusivamente brasileira, e que mesmo assim ainda recebe pouca atenção e baixo investimento para a conservação em ações de sustentabilidade, mesmo que seja um dos semiáridos com maior biodiversidade do planeta.

A terceira fase do NCC irá manter sua atuação na Reserva Natural Serra das Almas (Unidade de Conservação mantida pela Associação Caatinga em Crateús) e nas comunidades do entorno da Reserva, atendendo as regiões no sertão do Ceará e Piauí. As tecnologias sustentáveis como o forno solar, o fogão ecoeficiente e a cisterna de placas, e a educação ambiental chegarão a 30 comunidades do Ceará e 10 do Piauí, o que contribui para o uso inteligente dos recursos naturais e, consequente, melhoria da qualidade de vida da população local.

O NCC é realizado pela Associação Caatinga e patrocinado pela Petrobras e Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental e atua diretamente na proteção da Caatinga onde ocorrem animais ameaçados de extinção como o Tatu-bola. O mamífero, mascote da Copa do Mundo de 2014 por indicação da Associação Caatinga, é a espécie bandeira do projeto.

São três linhas de atuação prioritárias: biodiversidade e sociodiversidade, floresta e clima, e água. As ações serão desenvolvidas nos eixos de prevenção e conservação, uso inteligente dos recursos naturais e educação e comunicação.

Desenvolvimento do No Clima da Caatinga
Um dos principais objetivos da iniciativa é o fomento à gestão de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e o estímulo à criação de políticas públicas ambientais, como a realização do seminário sobre incentivos econômicos para a conservação da natureza, planejado para a etapa final do NCC III.

“Na fase III do NCC o apoio às RPPNs será dado por meio da elaboração dos Planos de Manejo das Reservas Chico Bimbino e Olho D’água do Tronco e confecção de placas de identificação e sinalização destas”, lista Samuel Portela, biólogo e coordenador técnico da Associação Caatinga.

Outro ponto primordial é a promoção do uso sustentável de recursos do bioma para a consequente restauração e conservação das florestas caatingueiras. Para isso se faz necessária a apropriação de tecnologias sustentáveis de uso e manejo dos recursos naturais da Caatinga, tais como os fogões ecoeficiente, fornos solares, e sistemas bioágua, itens que são disseminados pelo projeto como alternativas para uma convivência sustentável e proteção da fauna e flora.

Outra linha de atuação é a educação ambiental, que será trabalhada de maneira a sensibilizar os envolvidos em momentos de interação nas escolas e nas comunidades. “A Educação Ambiental é uma ferramenta construtiva de saberes e conhecimentos referente ao ambiente natural local, que auxilia na transformação necessária para uma convivência harmônica e equilibrada com a Caatinga, através da consciência crítica e sensibilidade para um novo cuidar", comenta Andreza Antunes, técnica educadora ambiental.

Tatu-bola preservado – o porta-voz da proteção ao bioma
As ações realizadas pelo NCC resultam no incentivo da conservação continuada dos recursos naturais e espécies de plantas e animais presentes no bioma por meio de campanhas de proteção, produção de materiais didáticos, filmes e incentivo ao uso das tecnologias sustentáveis. Samuel explica que o Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) será o porta-voz de mais essa iniciativa.

Famoso por se tornar mascote da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, o mamífero é endêmico da Caatinga e está na lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção (IUCN/ICMBio, 2015) sendo um dos principais causadores desse cenário a redução da cobertura natural seu habitat natural para retirada de madeira e pelo fogo para abertura de novas áreas de cultivo. Infelizmente o animal pode ser extinto nos próximos 50 anos, de acordo com estudos.

Dessa forma, o tatuzinho será o embaixador do trabalho realizado pelo No Clima da Caatinga e será a personificação da proteção à Caatinga.

Tabajaras e juventude
O projeto desde a Fase II (2013-2015) tem como alvo das suas ações os povos tradicionais tabajaras, habitantes da aldeia Nazário, localizada no entorno da Reserva Natural Serra das Almas. A comunidade é parceira do projeto No Clima da Caatinga na implantação de cisternas de placas e fogões ecoeficientes. Foram capacitadas nove pessoas em meliponicultura (produção de mel da abelha jandaíra), destes, quatro receberam colmeias na etapa de multiplicação realizada em 2016. A Fase III do projeto No Clima da Caatinga irá assegurar assessoria técnica e promoverá o monitoramento do uso e do impacto destas tecnologias implantadas na aldeia dos povos tradicionais.

Outro público ao qual o projeto irá despender atenção é o de pessoas entre 15 e 23 anos. Tendo em vista que são os jovens que mais abandonam o semiárido e vão para as grandes cidades em busca de novas opções de trabalho. Coordenador de conservação, Gilson Miranda, explica que um dos propósitos é estimular uma convivência saudável e equilibrada com o clima e a floresta dessas regiões.

“Iremos proporcionar para esses jovens vários meios de conhecimentos e saberes, como: O Cine Tela verde; oficinas educativas nas escolas e comunidades; exposição de banner e réplicas de animais da Caatinga; campanhas educativas; atividade esportiva, visando semear habilidades e competências que garantam uma relação homem-natureza mais equilibrada e saudável”, explica o biólogo.

Fases anteriores do Projeto
Desde 2011 a instituição recebe patrocínio da Petrobras por meio da Petrobras Socioambiental para a realização do Projeto No Clima da Caatinga Fase I (2011-2012) e Fase II (2013- 2015) no território do projeto proposto.

Só nas duas primeiras fases foi evitada a emissão de aproximadamente 152.000 toneladas e o sequestro de cerca de 12.000 toneladas de CO². Foram protegidas ou recuperadas 16 nascentes, 96 hectares de Reservas Legais (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP) foram protegidas e recuperadas. Foi dado também o suporte para criação de três novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) no município de Crateús.

Tudo isso, contando com o envolvimento de 3.300 famílias, a capacitação de 1.600 pessoas no uso de tecnologias sustentáveis, a capacitação de 409 educadores e envolvimento de 21.000 alunos nas ações de educação ambiental, além da visitação de mais de 60.000 pessoas a Exposição Itinerante “Caatinga Um Novo Olhar”, exposição itinerante utilizada no Projeto.

O pioneirismo do projeto, a importância para conservação da Caatinga e a disseminação de tecnologias sociais que promovem adaptabilidade às mudanças climáticas somadas aos resultados positivos das fases anteriores foram decisivos para uma nova fase do projeto.

Premiações
O reconhecimento do Projeto veio em forma de prêmios e títulos. Em 2014, já na segunda implementação, O No Clima da Caatinga recebeu o título Dryland Champions, da UNCCD/Ministério do Meio Ambiente, pela relevância das ações de combate à desertificação. Ainda no mesmo ano, a iniciativa também recebeu da Presidência da República o prêmio ODM Brasil, pela importante contribuição do projeto para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

No ano seguinte a proposta conquistou o prêmio Von Martius de Sustentabilidade, um dos maiores reconhecimentos na área de sustentabilidade e meio ambiente no país. Também em 2015 o No Clima da Caatinga angariou o apoio do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal para a realização de ações de reutilização de água do consumo doméstico em pequenas hortas e pomares além da recuperação de nascentes.

Durante as primeiras implementações, o projeto foi certificado duas vezes entre 2013 e 2015 pelo Banco de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil, pelas tecnologias de gestão de resíduos sólidos e disseminação de fogões ecoeficientes, respectivamente.

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