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Apresentações de pitches relacionados ao hidrogênio verde marcam segundo dia do FIEC Summit

04/08/2022 - 20h08

Na tarde desta quarta-feira, 04/08, a programação do segundo dia do FIEC Summit 2022 - Hidrogênio Verde (H2V) começou, no auditório José Flávio Costa Lima, na Casa da Indústria, com a apresentação de pitches de trabalhos acadêmicos e projetos de pesquisa sobre o hidrogênio verde.

Na categoria trabalhos acadêmicos, o vencedor foi o tema 'Análise da viabilidade da injeção de hidrogênio nas redes de distribuição de gás canalizado da Cegás, dos autores André Bueno, Antônio Eurico Torres, Enrique Garcia e Fernanda Lobo.

Já na categoria Projeto de pesquisa, o vencedor foi o tema 'Sistema híbrido de produção do hidrogênio verde utilizando células de dessalinização e eletrólise microbiana acopladas à reformas a vapor do glicerol com força solar', dos autores André Bueno, Carla de Andrade, Fernanda Torres, Paulo Alexandre Rocha e Mona Lisa de Oliveira.

Passado este primeiro momento, o FIEC Summit 2022 - Hidrogênio Verde recebeu os palestrantes. O primeiro foi o Diretor Presidente da Companhia do Gás do Ceará (CEGÁS), Hugo Figueirêdo, que abordou o tema 'Injeção do Hidrogênio Verde na rede de gás canalizada'. Ao fazer uma abordagem dos vinte e oito anos de atuação da CEGÁS no Ceará, Figueirêdo classificou que o Ceará está na vanguarda do Brasil e do mundo na área do hidrogênio verde. Também destacou o pioneirismo da empresa no processo de introduzir o gás biometano na rede. A ideia é replicar o modelo, desta vez, com o hidrogênio verde. Para isso, adiantou que serão necessárias algumas adaptações: “Não é simplesmente como nós fizemos com o biometano. Precisamos levar em consideração as características do hidrogênio verde. Normalmente se faz um investimento adicional de conversão na ordem de 10 a 15% em uma rede nova e isso se refere não só a válvulas e medidores e estação de compressão, mas em alguns casos, até ajustes no próprio gasoduto”, disse.

Na sequência, o FIEC Summit 2022 – Hidrogênio Verde contou com uma participação internacional: a Coordenadora do programa de hidrogênio do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Sunita Satyapal, que ministrou a palestra ' A evolução do Hidrogênio Verde nos Estados Unidos'. Pela internet, Sunita elogiou a iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e reforçou a importância do assunto. Também acrescentou que o Presidente Joe Biden aprovou uma lei que vai financiar um programa de US$ 9 bilhões para desenvolver hubs regionais de hidrogênio limpo (H2Hubs) no país ao criar redes de produtores de hidrogênio, consumidores e infraestrutura local para acelerar o uso do energético renovável.

Também de forma online, o Presidente Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Sauala, participou da palestra 'Usinas solares e híbridas para o desenvolvimento da Indústria do Hidrogênio Verde' ocasião em que falou sobre as diferenças entre o hidrogênio verde e os outros tipos do elemento químico, que não são tão sustentáveis. Nesse sentido, apontou o Brasil como um país com muita competitividade nesse novo negócio que se abre, em função do rico potencial energético de matriz limpa. “Segundo a Bloomberg NEF, o Brasil chega a um valor próximo a faixa de um dólar por quilograma de produção, que é um preço menor, inclusive, que o preço do hidrogênio produzido por fontes fósseis”, contou.

Outro país com muito potencial para a produção de hidrogênio verde é o Chile. 'A estratégia do Hidrogênio Verde chileno' foi o tema da palestra ministrada pelo Diretor latino americano da Copenhagen Infrastructure Partners, (CIP) Max Correa. Falando em inglês, ele foi otimista em relação a produção do combustível do futuro: “Nós estamos aumentando nossa capacidade de energia elétrica a partir do sol e dos ventos. Hoje, nosso potencial renovável está fixado em 60 vezes a nossa atual capacidade. A economia do hidrogênio verde está crescendo no mundo e o Chile está se colocando como um país para se tornar grande produtor, apesar da distância dos principais mercados consumidores”, enfatizou.

Terminadas as palestras, o FIEC Summit 2022 – Hidrogênio Verde propiciou a continuação dos debates, em um mesa redonda, com o tema 'Os desafios para o mercado de Hidrogênio Verde', que contou com a participação do Integrante do Grupo de Estudos do setor elétrico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor Nivalde de Castro; do Vice-presidente de Mercado da América Latina da DNV GL, Alexandre Imperial; da Especialista sênior do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano (BID), Michelle Hallack e do Presidente da Associação Brasileira do Hidrogênio, Paulo Emílio de Miranda.

O moderador da mesa foi o Consultor técnico da Secretaria Executiva da Indústria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SEDET), Constantino Frate Júnior. Ele defendeu a unidade do HUB do Hidrogênio Verde, no Ceará que conta com a FIEC, o Governo do Estado, o Complexo do Pecém e a Universidade Federal do Ceará (UFC) e traçou os desafios para a viabilidade econômica: “As regulações e licenças não podem atrasar as etapas de produção”, disse. Os quatro integrantes da mesa seguiram o mesmo discurso do potencial do HUB. “O hidrogênio pode ser produzido em qualquer lugar do planeta e, por isso, precisa ser incentivado”, disse Paulo Emílio de Miranda.

Já Alexandre Imperial destacou os valores mínimos para o atingimento das metas do acordo de Paris: “Seriam da ordem de 440 bilhões de dólares/ano em 2050 e, para fins de comparação, em 2021 foram investidos 12 bilhões de dólares mundialmente”, reforçou.

A necessidade de mais investimento está relacionada a um grande objetivo dessa indústria que prima pela sustentabilidade, segundo Michelle Hallack: “O processo de descarbonização da matriz energética é urgente e, ao fazermos isso, nós desenvolvemos o crescimento das empresas”, garantiu.

O último integrante da mesa, o Professor Nivalde de Castro, foi taxativo: “Nós temos que tirar o petróleo e o gás natural da matriz energética e assim ficarmos menos vulneráveis, inclusive, do ponto de vista econômico”, falou, ao mencionar as duas grandes crises do petróleo do final do século passado. “Ao fazermos a nossa transição energética, o Brasil será a Arábia Saudita, na década de 30, cuja capital será Fortaleza”, concluiu.

 

 

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